Game of Thrones T07E07 – Reuniões Tensas, Separações Muito Esperadas e um Plot Twist Pouco Convincente

Entre trancos, barrancos e muito gelo e fogo, chegamos ao final da sétima e penúltima temporada de Game of Thrones.

the dragon and the wolf

O tempo voa e mais uma vez chegamos ao final de mais uma temporada de Game of Thrones. Apesar de ser resultado de uma das tramas mais esdrúxulas da série – o sequestro do zumbi pra lá da Muralha – este finale nos trouxe algumas situações bastante interessantes, assim como o evento que eu mais queria ver desde que conheci o mundo de George R.R. Martin e seus personagens. Então suba em seu dragão de gelo e vem comigo analisar o episódio The Dragon and the Wolf, núcleo por núcleo.

Porto Real

the dragon and the wolf

O episódio abre com um close no nosso soldado favorito, Verme Cinzento, que milagrosamente conseguiu não morrer nessa temporada. Todos os imaculados se enfileiram aos pés das muralhas de Porto Real, assim como os dothrakis, que chegam aos milhares em seus cavalos.

Lá em cima, Bronn prepara os homens para um cerco e conversa com Jaime sobre a chegada dos exércitos de Daenerys. Como isso é Game of Thrones, a conversa gira basicamente em torno da importância de um pinto, com Bronn embasbacado que os Imaculados optem por continuar vivendo, mesmo sendo castrados.

the dragon and the wolfEssa é apenas a primeira menção a pintos no episódio. Brace yourselves. 

 

Eles comentam que o Tyrion luta ao lado desses homens agora, ao que Jaime diz que o irmão sempre escolheu o lado dos oprimidos. Observando a chegada dos dothraki, Bronn reflete que é bem capaz que eles próprios se tornem os oprimidos agora.

Por mar, chegam Euron e seus milhares de navios de um lado e a pequena comitiva de Daenerys de outro. Tyrion, Davos e Jon observam Porto Real ao longe e Jon fica chocado quando Tyrion lhe diz que aproximadamente um milhão de pessoas vivem ali, pois é mais do que toda a população do Norte. Enquanto isso, o Cão desce ao porão do navio para cutucar um caixote reforçado de madeira, onde nosso amigo Zé está trancado.

the dragon and the wolfE não é que você veio pra Porto Real mesmo, amigão?

 

Dentro da Fortaleza Vermelha, Qyburn informa Cersei que todos os “convidados” estão a caminho do fosso dos dragões, menos Daenerys, que ele não faz ideia de onde está. Cersei ordena ao Montanha que mate Daenerys se algo der errado, e Tyrion e Jon em seguida. Jaime parece meio chocado com isso.

Foi um começo de episódio tenso, com Daenerys mostrando (quase) toda a sua força e Cersei mostrando que esse plano pode dar muito errado. Duas coisas me pareceram esquisitas, no entanto. A primeira delas é o Bronn. Mesmo com tudo conspirando contra os Lannister, ele ainda opta por lutar do lado deles – o que faz dele o mercenário mais leal de Westeros. A outra é a reação do Jaime às ordens da Cersei. Pareceu muito repentino o seu incômodo com a truculência da irmã, principalmente porque ela já cometeu inúmeras atrocidades (a explosão do septo, a morte de Ellaria e Tyene) sem que ele a condenasse. Mas vamos falar mais sobre isso mais tarde.

Bem, no caminho para o fosso dos dragões, Jorah explica a Missandei que ele foi construído por segurança, para conter os dragões. Tyrion participa da conversa e diz que o local deve ter sido muito triste no final, com criaturas menores que cães, mas que no começo foi provavelmente o lugar mais perigoso do mundo. Davos diz que talvez ainda seja, conforme Bronn e alguns soldados Lannister se aproximam para acompanhá-los. Brienne e Pod, que chegaram antes de todo mundo, também estão ali, e Brienne troca um olhar chocado com Sandor Clegane.

Nesse momento, temos um repeteco de uma das partes bacanas do episódio da semana passada: reencontros e conversinhas entre personagens com muita história, que há muito não se viam. Tyrion fica satisfeito de ver Pod, mas eles são interrompidos por Bronn, que os apressa com uma menção ao pinto mágico do Pod (menção a pintos número dois!). Em seguida, Tyrion conversa com Bronn e promete dobrar o seu pagamento se ele trocar de rainha. Mas Bronn, além de parecer ter se afeiçoado mais ao Jaime, parece não ter mais cérebro, porque ele realmente acredita que Cersei o agradecerá por ter se encontrado com o inimigo sem ela saber para possibilitar o encontro que está prestes a ocorrer.

the dragon and the wolfDifícil ignorar os laços criados em toda aquela temporada sem sentido na doida e mística Dorne de Dan Weiss e David Benioff.

 

Mesmo assim, os dois sorriem um para o outro e dizem que é bom se encontrar novamente. Enquanto isso, Brienne e o Cão desfrutam juntos um suco de climão, até que ela diz que achava que ele estava morto. Ambos concordam que só queriam proteger a Arya, e Brienne conta que a garota está viva em Winterfell, e agora sabe muito bem se proteger sozinha. O Cão sorri satisfeito e eu também, porque essa cena toda é um amorzinho.

Chegando no fosso, o Cão avisa os soldados para não tocarem na caixa do Zé, e eu já começo a ficar preocupada achando que alguma coisa vai acontecer com essa droga de caixa. Cersei não chegou no fosso ainda, o que é preocupante, e ficam todos olhando em volta com cara de “pqp, acho que esse plano foi meio idiota mesmo”. Jon Snow mais do que todo mundo, porque para piorar ele está super mal vestido para o clima mais ameno de Porto Real.

the dragon and the wolfDroga, Davos, só tem eu usando um bicho morto nos ombros. Nunca mais te deixo escolher minha roupa.

 

Curiosamente, o Varys também está ali, o que me parece super perigoso (para ele). Cersei poderia pedir a sua cabeça ali mesmo por ser um traidor, e consigo imaginar Daenerys cedendo em prol de um bem maior. Mas enfim, águas passadas. Para fugir do suspense, Bronn convida o Pod a sair para tomar um drinque, o que Brienne permite com um aceno de cabeça.

Ninguém está mais injuriado de estar ali, no entanto, do que o Cão. Ele diz ao Tyrion que aquela ideia é uma merda e que toda ideia de merda parece ter um Lannister por trás. Conforme Cersei entra no fosso, acompanhada de Jaime, Euron, Qyburn, seus soldados e o Montanha, Tyrion rebate dizendo que independente da merda que é a ideia, sempre tem um Clegane para ajudar a executá-la. Os dois observam o Montanha se aproximar enquanto Euron dá uma boa encarada vexatória no Theon.

Quando todos se sentam, o Cão se posta na frente do Montanha e o provoca. Ele diz que não importa o que fizeram para que ele ficasse daquele jeito, que o irmão sempre soube quem viria atrás dele. O Montanha permanece impassível, claro, porque ele próprio é um morto vivo, e o Cão se afasta e desce as escadarias no meio da arena.

the dragon and the wolfEu tenho um cara pra te apresentar. O nome dele é Zé, acho que vocês tem bastante coisa em comum.

 

A cena estava indo muito bem até esse momento. Esse enfrentamento não serviu para nada além de agradar os fãs, que querem muito uma luta entre os dois irmãos. Na verdade, ele fez até um desserviço ao desenvolvimento do Cão como personagem, porque de repente é como se ele regredisse umas seis temporadas, quando ainda não tinha passado por tudo o que passou. Qual o ponto do arco do Cão? Sua jornada com a Arya, com o irmão Ray, na temporada passada, o reencontro dos restos mortais das pessoas que ele roubou no passado, a satisfação que ele sente quando Brienne lhe diz que Arya está bem…tudo isso é apresentado como parte de um arco de redenção que nunca parece consistente, porque a todo momento os roteiristas incluem alguma cena em que ele volta a ser o velho Cão do Joffrey. Eu mesma sou uma fã que torce por essa luta lendária entre ele o Montanha, mas não se isso vai descaracterizar o personagem. Faz muito mais sentido se ele lutar contra o irmão para salvar ou proteger alguém. Enfim, vamos esperar para ver o que vai acontecer, mas essa cena me deixou bem decepcionada.

Bem, todos estão em seus lugares, menos Daenerys. Cersei pergunta a Tyrion onde ela está e ele diz que está chegando. Fica aquele climão. Brienne e Jaime trocam um olhar. Jorah coça as cicatrizes. Jon sente calor. Até que, dito e feito, um barulho anuncia a aproximação dos dragões e todos observam a chegada de Daenerys, espantados. Drogon pousa no outro extremo do fosso e, depois de uns gritos de intimidação, abaixa a asa para Dany descer. Euron faz cara de quem acabou de lembrar que até uns oito episódios atrás, seu plano era ir casar com a Daenerys. Drogon sai voando novamente enquanto Dany se aproxima do grupo e se senta em seu lugar.

Eu em toda cena com os dragões.

 

Por mais que eu tenha amado essa cena, achei que ficou faltando uma reação do povo da cidade. Cada vez mais parece que a série ignora completamente o papel do povo no jogo dos tronos – primeiro com o fato de ninguém ter se rebelado contra uma rainha que explodiu metade da corte dentro do templo religioso mais importante do país, e agora com a ausência de uma reação a uma conquistadora Targaryen sobrevoando a cidade em um dragão. Acho que seria bacana até para a Daenerys, pois o povo veria ela está disposta a conversar com Cersei e não está ali para queimá-los. Infelizmente, não tivemos nada disso.

Bem, Cersei já está irritada com essa demonstração de poder e diz que Daenerys está atrasada. Dany a desarma ao pedir desculpas humildemente. Ela faz sinal para o Tyrion começar a reunião, mas ele é interrompido por Euron, que resolve afrontar o Theon falando de Yara, e aproveita para fazer piada com o anão. Jaime manda ele se sentar, seguido de Cersei, que manda que ele sente ou saia. Como uma criança que foi repreendida, ele se senta.

the dragon and the wolfEuron lembrando que é só alívio cômico a essa altura do campeonato.

 

Tyrion então diz que eles estão lá para conversar, apesar das inimizades e da impossibilidade de viverem todos em harmonia. Cersei pergunta por que eles estão lá então, e Jon diz que não se trata de viver em harmonia, mas sim de viver e lutar contra um general que não negocia e um exército que não deixa cadáveres. Cersei faz piada com isso e se dirige a Daenerys, falando que foi informada de que ela quer uma trégua. Dany confirma e diz que promete não atacar Porto Real enquanto eles enfrentam a ameaça no Norte, ao que Cersei novamente demonstra sua descrença. Nesse momento, o Tyrion decide que é hora do Zé participar da festa.

O Cão sobe as escadarias carregando o caixote nas costas. A uma distância segura dos demais, ele o pousa no chão e começa a destravá-lo. Ao tirar a tampa, no entanto, nada acontece, e nesse ponto eu já estou aqui muito nervosa, achando que o morto morreu de vez. Mas não. Com muito asco, o Cão chuta o caixote para virá-lo, e o Zé reaparece vivão e doido pelo pescoço da Cersei. Ele corre na direção da rainha Lannister e ninguém faz nada – até o Montanha dá uma recuada. No último instante, o Cão puxa o Zé pela corrente e ele fica lá guinchando loucão, para horror de todos. Como ele não fica quieto, o Cão bate nele e o parte em dois, além de arrancar-lhe um braço. Todas as três partes continuam se mexendo e o Qyburn pega a mão do Zé com interesse.

the dragon and the wolfQyburn pensando em se aliar ao exército dos mortos.

 

A cena foi muito divertida, mas é meio chato como as criaturas caíram num clichê tão grande de zumbi que não nos metem mais medo. Mesmo o fato de os animais não suportarem ficar perto deles foi completamente ignorado, pois o caixote foi levado a cavalo até o fosso sem problemas. Também é difícil superar o fato de que o Zé está ali por causa daquele plano estapafúrdio do episódio passado.

Eu toda vez que lembro que aquele plano foi não só sugerido, como aceito, executado e bem-sucedido.

 

Mas ok, faremos o possível para esquecer. Na sequência, o Jon acende uma tocha e começa a aula Como Matar uma Criatura, demonstrando que eles morrem por fogo e por vidro de dragão (aço valiriano não? É uma dúvida legítima). Dany diz que também não acreditava, mas que viu todos e agora acredita. Jaime fica horrorizado quando ela diz que viu mais de cem mil pelo menos e Euron decide voltar para as Ilhas de Ferro quando Jon lhe diz que eles não nadam. Ele sugere a Daenerys que faça o mesmo.

the dragon and the wolfEspera só o Rei da Noite chegar dando rasante nos homens de ferro.

 

Cersei parece estranhamente impassível com essa traição e logo aceita a trégua de Daenerys, mas com uma condição: que Jon Snow não escolha lados quando tudo acabar, e que não erga armas contra os Lannister. Ela apela para a honra do “filho do Ned Stark”, mas justamente por causa dela Jon diz que não pode aceitar porque já dobrou o joelho para Daenerys Targaryen. Cersei diz que então nada feito e se retira, revoltada.

Jaime a segue, mas Brienne vai atrás dele, provavelmente puta porque ele continua a não seguir o seu arco de redenção que começou lá na segunda temporada. Ele diz que é leal a Cersei, ao que Brienne se irrita e fala que isso tudo é muito maior do que as Casas e lealdade. Ela pede que ele fale com a rainha.

Foi pouco, mas é bom ver o Jaime e Brienne juntos novamente, e melhor ainda ver que ela ainda consegue causar algum impacto nele. Sobre a reunião em si, eu achei legal (ignorando o contexto do plano que fez com que eles se reunissem), mas gostaria de ter visto uma interação maior entre Daenerys e Cersei. Acho que até o Euron teve mais falas que a Dany nessa cena.

the dragon and the wolfPelo menos a Cersei arrasou do começo ao fim. 

 

Bem, enquanto isso, todo mundo está puto com o Jon por não ter mentido. Dany diz que o Viserion morreu para eles estarem ali, mas Jon diz que não poderia ter mentido, pois quanto mais pessoas fizerem promessas que não podem cumprir, menos respostas eles terão. Tyrion diz que eles estão ferrados e que a única coisa que pode impedi-los de voltar à estaca zero é ele ir tentar falar com Cersei. Dany não quer deixar, mas ele a convence.

Tyrion segue para encontrar Cersei acompanhado do Montanha e encontra Jaime no meio do caminho. Infelizmente, o xingo da Brienne não adiantou, porque Jaime foi expulso da sala pela irmã. Eles se despedem e Tyrion entra na sala.

Lá dentro, Cersei dispara alguns insultos misóginos contra a Dany (o que é bem fiel à personagem) e acusa o Tyrion de trabalhar para a destruição da casa Lannister. Tyrion responde que não sabia sobre Jon e Dany e que é ele quem está evitando que os Lannister sejam destruídos, impedindo Daenerys de chegar queimando tudo. Mesmo assim, Cersei tem muita coisa entalada na garganta e o acusa de matar o pai, um crime que ele assume e pelo qual sente muito, apesar de ter tido motivos. Cersei diz que ele deixou a família exposta quando fez isso, o que indiretamente acabou causando a morte de Myrcella e Tommen (o que não é nem de longe verdade, né Cersei, querida). Quando ele tenta dizer que sente muito pelas crianças, ela não quer ouvir. Ele então diz que ela deve matá-lo, porque ele teria destruído tudo que ela amava, mas ela se controla.

Depois desse momento de tensão, ele bebe vinho e lhe oferece uma taça, que ela ignora (aviso de gravidez número um!). Tyrion reitera que amava as crianças, mas Cersei diz que não importa. Ela pergunta por que ele segue a Dany, e ele responde que acha que ela vai construir um mundo melhor – uma afirmação que Cersei logo rebate, lembrando que ele disse que ela queria meter fogo em tudo. Tyrion diz que Daenerys se conhece e escolheu um conselheiro (ele mesmo) que é capaz de conter os seus impulsos (ou seja, que consegue controlá-la, como se ela fosse mesmo uma louca incendiária).

Essas sugestões de rainha louca que precisa ser controlada ficam mais cansativas a cada episódio que passa.

 

Tocando a barriga (aviso de gravidez número dois!), Cersei diz que não se importa em conter seus impulsos ou com a construção de um mundo melhor, mas sim com a sobrevivência de sua família. Ela começa a refletir que talvez Euron teve a ideia certa e Tyrion a interrompe para concluir que ela está grávida.

Que delícia que é ver uma cena entre esses dois personagens. Os atores são maravilhosos e o diálogo não foi ruim. Teria sido muito melhor, no entanto, se a série não tivesse cortado a parte da profecia da Maggy que dizia que a Cersei seria morta pelo “valonqar”, ou seja, pelo irmão mais novo. Nos livros, essa é a parte da profecia que mais apavora a Cersei e a deixa completamente paranóica em relação ao Tyrion. Infelizmente, na série eles optam por fazer com que a morte dos filhos seja a parte mais importante da profecia, porque na cabeça dos roteiristas uma mulher que é mãe é definida por sua maternidade (já escrevi sobre isso aqui). No fim, essa mudança acaba tirando boa parte da tensão desse reencontro.

Enfim, enquanto isso, Jon e Dany aguardam e conversam. Dany diz que não concorda com o que o Jon fez, mas que o respeita mesmo assim. Ela explica que aquele fosso foi o começo do fim para os Targaryen, porque os dragões foram ficando cada vez menores ao serem confinados. Sem eles, os Targaryen se tornaram iguais a todo mundo. Jon diz que ela não é igual a todo mundo e que ainda está aí, mas ela rebate, reafirmando que não pode ter filhos. Jon pergunta quem lhe disse isso, e ela fala de Mirri Maz Dur, mas ele reflete que essa não é uma fonte muito confiável.

the dragon and the wolfEsse cara tem umas cantada de outro nível, tá loco.

 

Dany diz que ela devia ter confiado nele desde o início, mas que agora estão ferrados, como bem disse o Tyrion. Nisso, o anão retorna ao fosso seguido de Cersei, que anuncia que vai ceder os seus exércitos para lutar no Norte contra o Rei da Noite. Em troca, ela apenas espera que eles se lembrem que ela ajudou sem nenhuma promessa ou garantia da parte deles.  

Muito, muito estranho não ter sido mostrado exatamente o que foi discutido entre eles para fazê-la mudar de ideia. Mais estranho ainda quando lembramos daquela cara sombria e preocupada do Tyrion no fim do episódio, quando ele vê o Jon entrando na cabine da Daenerys. Será que o anão prometeu algo a Cersei? Algo que ele sabia que Daenerys não aceitaria? Li uma teoria de que ele teria prometido o trono ao filho da Cersei, já que Daenerys não pode ter filhos, e agora está preocupado que ela consiga deixar um herdeiro com o Jon.

É uma teoria interessante, mas no fim não faz muita diferença, porque como vimos Cersei não pretende cumprir sua parte do combinado. Quando todos já foram embora, ela interrompe Jaime enquanto ele planeja a excursão ao Norte para avisá-lo que mentiu e que eles não vão para o Norte coisa nenhuma. Que disse o que tinha que dizer para sobreviver, mas que vai aproveitar a ausência de Daenerys no sul para conquistar seus territórios de volta.

Hein?

 

Jaime fica indignado com isso, e diz que quem ganhar no Norte vai destruí-los de qualquer jeito, mas ela o ignora, dizendo que contratou a Companhia Dourada e que o Euron na verdade foi buscá-los em Essos. Essa traição parece ser o ponto de virada para o Jaime e ele diz que pretende honrar sua promessa de ir lutar no Norte. Ela o acusa de traição, e quando ele tenta ir embora, o Montanha se põe no seu caminho. Mais indignado ainda, ele pergunta se ela vai matá-lo, lembrando-a que ele é o único que restou ao seu lado. Ela afaga a barriga e diz que agora tem mais um, ao que ele pede que ela o mate logo de uma vez. Ela faz um aceno para o Montanha, mas Jaime compra o seu blefe, e nada acontece. Jaime diz que não acredita nela e vai embora. Ela o segue por alguns passos, perturbada.

the dragon and the wolfAgora eu fiz merda mesmo, pqp.

 

No fim, vemos Jaime partindo de Porto Real a cavalo e sem os trajes Lannister. Bem nessa hora, começa a nevar na cidade.  

Eu realmente adorei que o Jaime finalmente largou da barra da saia da Cersei, mas odiei o motivo. No vídeo por trás do episódio, os roteiristas dizem que o que pegou mesmo foi Cersei não ter confiado seu plano a ele, o que fez com que ele percebesse que sua lealdade pela irmã é muito maior do que a dela por ele. Isso é dar uma volta tão grande ao largo da caracterização do personagem… O ponto de virada perfeito teria sido a explosão do septo, pois o Jaime matou um rei para evitar que ele fizesse exatamente o que Cersei fez. Se ele tivesse abandonado a irmã depois disso, faria muito mais sentido e ele poderia ter se dedicado ao seu arco de redenção muito mais cedo. Mas os roteiristas erraram o timing e precisavam que os irmãos ficassem juntos nessa temporada, então foi isso aí mesmo: um Jaime que só parece se tocar que a irmã é uma cretina no último episódio da temporada. No mínimo, que tivessem construído essa conclusão de forma mais consistente ao longo da temporada, mas infelizmente nem isso tivemos.

Bem, acho que o que importa é que o Jaime finalmente está livre. Foi maravilhoso ver eles se separando e eu tenho grandes expectativas para o Jaime na próxima temporada. Uma coisa que eu gostei também nesse episódio foi que o ato de honra estúpido do Jon acabou dando forças para o Jaime na sua resolução. Ele fez uma promessa e vai cumpri-la. Com isso, acho que podemos esperar que ele se junte aos exércitos de Daenerys e Jon logo menos.

Pedra do Dragão

the dragon and the wolf

De volta em Pedra do Dragão, a galera toda planeja a viagem até o Norte. O que eu gostei nesse episódio é que eles parecem ter abandonado o teletransporte, pois vemos vários personagens planejando essas longas viagens. Espero que isso continue, pra eu poder fingir que a linha do tempo absurda dessa temporada nunca aconteceu.

Enfim, Jorah sugere que Dany vá voando, pois teme que alguém tente matá-la se ela for por terra. Já Jon diz que como eles são aliados, devem navegar juntos, para passar uma mensagem mais forte para o povo (olha, alguém lembrou que o povo existe!). Daenerys concorda e fica aquele climão, porque todo mundo ali sabe como esses dois pretendem passar o tempo na viagem.

Na sequência, Theon conversa com Jon sobre sua atitude no fosso dos dragões. Ele diz que sempre quis fazer o que era certo, como o Jon, mas que nunca soube o que era isso. Jon diz que fez coisas das quais se arrepende também – não tanto quanto o Theon, mas fez. Theon responde que parece que sempre teve que fazer uma escolha impossível: Stark ou Greyjoy, ao que Jon diz que Ned Stark foi muito mais pai para o Theon do que Balon Greyjoy. E que mesmo assim ele o traiu. No entanto, no fim Jon o perdoa por aquilo que pode perdoar e diz que ele não precisa escolher. Que ele é tanto Stark, como Greyjoy, porque de alguma forma o Ned ainda é parte dele. Theon fica muito comovido com isso e diz que precisa ajudar sua irmã Yara, pois ela foi a única que tentou salvá-lo quando ele era prisioneiro do Ramsay. Jon manda ele ir então, e eles se separam.

Alfie Allen, que ator. O arco do Theon foi meio que abandonado desde a temporada passada, mas mesmo assim ele consegue entregar atuações impactantes nas poucas cenas que tem. Nesta, ele abre o coração sobre a grande insegurança que selou o destino do seu personagem, e eu fiquei feliz que o Jon faz o possível para entendê-lo. Pessoalmente, eu não sei se ele merece ser perdoado – não vamos esquecer que ele traiu os Stark e matou duas crianças inocentes -, mas pelo menos entendê-lo é possível. Antes do Jon o perdoar, inclusive, conseguimos ver um pouco do que criou esse grande dilema na cabeça do Theon conforme ele crescia: em Winterfell, todos sempre fizeram questão de lhe dizer que ele deveria ser grato por ser tratado como um filho. Mas na real, Ned nunca realmente o tratou como filho, porque sabia que se Balon Greyjoy fizesse alguma merda, ele teria que executar o menino. Theon não era um filho – ele era um refém e um prisioneiro, mas ao mesmo tempo tinha que se sentir grato por isso.

Bem, a conversa com o Jon lhe dá forças para ir falar para os homens de ferro que eles devem ir resgatar a Yara. Um deles fica peitando ele, dizendo que ela já está morta e que a culpa é toda do Theon. Ele conta que eles vão fazer como o Euron – navegar até alguma ilha, matar os homens e roubar suas mulheres. Theon diz que Yara prometeu que eles deixariam esse estilo de vida, mas o cara cospe em sua cara. Na sequência, eles brigam e, mesmo apanhando muito, Theon se recusa a desistir. Numa última investida cambaleante, o cara lhe dá vários chutes no saco, mas ele não tem mais saco e consegue revidar.

the dragon and the wolfMenção à pinto número três!

 

No fim, ele consegue derrotar o chefão da primeira fase (o grande chefão é o Euron), e todos concordam em partir com ele para resgatar a Yara.

Eu entendo que os homens de ferro obedecem a lei do mais forte, mas pelo menos nos livros isso é questionado de várias formas e os personagens enfrentam consequências devastadoras relacionadas a esse modo de pensar. Tanto é que eles são uma das Casas mais fracas e improdutivas de Westeros. Já na série, somos instigados a aplaudir essa vitória do Theon, quando no fundo sabemos que ela é tóxica por ser baseada na velha lógica Violência = Poder. Entendo que o Theon precisava se reafirmar e reconquistar sua confiança de alguma forma, mas seria legal se os roteiristas tivessem pensado em outra solução. De preferência, uma que não envolvesse mais uma piada sobre homens sem pinto.

Winterfell

Enquanto isso, em Winterfell, chegou a hora de ver qualé que é a daquela trama sofrível entre as irmãs Stark.

Na primeira cena, Sansa conversa com Mindinho sobre o Jon ter dobrado o joelho para a Daenerys. Ela está aborrecida porque, como sempre, ele fez as coisas sem consultá-la (o que eu concordo – Jon não se aconselhou com ninguém de Winterfell antes de tomar essa decisão monumental). Mindinho sugere que Jon e Dany provavelmente farão uma aliança por casamento e sugere o trono do Norte para a Sansa. Ela nega, dizendo que mesmo se quisesse usurpar o lugar do irmão, Arya a mataria por isso. Ela explica que a irmã é uma assassina treinada e que gostaria de saber o que ela quer. Nisso, Mindinho diz que quando quer saber os motivos de uma pessoa, faz um jogo de perguntas consigo mesmo, em que presume sempre o pior. Através de uma série de perguntas direcionadas, ele faz Sansa concluir que Arya está em Winterfell para matá-la e tomar o seu lugar como Lady do castelo.

Mais tarde, Sansa observa a neve do alto das ameias e por fim ordena que levem sua irmã para o grande salão. Todos estão lá reunidos, inclusive Bran, o Mindinho, os vassalos e os lordes do Vale. Quando Arya entra no salão, ela olha em volta e pergunta a Sansa se ela quer mesmo fazer isso. Sansa diz que sim, porque a honra exige que ela proteja a sua família e Winterfell. Na sequência, ela faz uma acusação de assassinato e traição contra…TÃ TÃ TÃNNN – o Mindinho.

the dragon and the wolfHein?

 

Descolando do seu buraco na parede, ele diz que não está entendendo e Sansa começa a listar os seus crimes: ele matou a tia Lysa, conspirou para matar o Jon Arryn, começou o conflito entre os Stark e os Lannister e conspirou com Cersei e Joffrey para trair Ned Stark. Ele nega tudo e diz que ninguém estava lá para saber a verdade – a deixa do Bran para sair do seu transe robótico e revelar que viu tudo. Arya completa as acusações, dizendo que Mindinho disse a Catelyn que a adaga era do Tyrion, quando na verdade era dele próprio.

Nisso o Mindinho já está loucão de desespero e implora a Sansa que ela lhe deixe explicar tudo em particular, dizendo que sempre a protegeu. Ela rebate, dizendo que ele a vendeu para os Bolton, e completa dizendo que quando quer entender os motivos de uma pessoa, joga um jogo de perguntas em que presume sempre o pior. No caso de Mindinho, ela se perguntou: por que ele quer me jogar contra a minha irmã? Ela conclui que é isso o que ele sempre fez – jogar família contra família, irmã contra irmã. Que fez isso com Catelyn e Lysa e agora tentou fazer o mesmo com ela e Arya.

Numa última tentativa de se salvar, Mindinho implora por uma chance de se defender, mas ao invés disso pede a Yohn Royce que o leve de volta para o Vale imediatamente. Desnecessário dizer que o velho se recusa. Nesse momento eu já estou vibrando com o seu desespero. Ele se ajoelha no chão, implora a Sansa e, chorando, diz que amava a Catelyn, assim como amava a Sansa, mas ela responde que mesmo assim ele as traiu. No fim, ela lembra que quando ele a levou de volta a Winterfell, disse que não há justiça no mundo, a não ser aquela fazemos com nossas próprias mãos. Com um aceno de cabeça ela autoriza a sentença para a Arya, que o mata com um golpe rápido na garganta com a adaga.

Obviamente, esta cena é para ser o grande plot twist da trama em Winterfell. E eu não vou fingir que não fiquei satisfeita – foi sim muito bom ver Sansa e Arya unidas contra um homem desprezível que causou tanta tragédia não só para a família Stark, como para o reino todo. Eu adorei ver o Mindinho ser surpreendido e perder a calma, vibrei quando as garotas e o Bran enumeraram todos os seus crimes e respirei aliviada quando Arya enfim o silencia.

Tenho visto algumas pessoas dizerem que o que Sansa fez foi uma execução sem julgamento, o que não é lá muito honroso. Eu até concordaria com isso, mas me parece que Sansa lhe dá sim uma chance de se defender, e ao invés de fazê-lo ele apenas corre para o Yohn Royce e pede para tirá-lo dali. Seja como for, já discutimos como a série glorifica o olho por olho – veja o que aconteceu com os Frey, por exemplo – então eu realmente não esperava um julgamento. Nessa altura do campeonato, fico feliz que pelo menos nessa morte nós como espectadores sabemos que a vítima é realmente culpada de todos os crimes pelos quais é acusada.

Uma coisa que eu gostei bastante nesse desfecho foi a reação da Sansa. Desde o momento em que ela reflete de cima das ameias até o seu olhar impactado enquanto Mindinho estrebucha no chão e a sua conversa com Arya nas ameias mais tarde, dá para sentir que essa não foi uma decisão fácil para ela. E que mesmo o Mindinho sendo uma pessoa horrível, ela não está totalmente endurecida por dentro para não sentir nada com a sua morte. Já escrevi sobre isso no texto Livro x Filme sobre a personagem, mas nos livros a personagem é profundamente empática – muito diferente da Sansa da temporada passada que sorriu ao ver um homem ser comido vivo por cachorros. Fico feliz que, pelo menos nessa temporada, foram um pouco mais fiel à Sansa dos livros.

the dragon and the wolfUma cena curta, mas fundamental.

 

Dito tudo isso, eu preciso falar sobre o absurdo que os roteiristas fizeram com o arco das garotas Stark para nos entregar esse plot twist. Na verdade, até agora eu não entendi nada do que aconteceu nos últimos dois episódios. Quando foi que elas começaram a tramar contra o Mindinho? Quando e como, exatamente, elas falaram com o Bran? Foi antes ou depois daquelas discussões? E por último, mas não menos importante, aquelas discussões foram reais?

Se foram, é um absurdo (vide tudo o que falamos sobre isso nas resenhas passadas), e se não foram, também é um absurdo, porque foram discussões muito bem encenadas e realistas. Arya até pode ter talento para atriz, devido ao seu treinamento, mas Sansa é apenas Sansa. Sem contar que na maioria das cenas elas estavam completamente sozinhas. Se os roteiristas querem que a gente pense “ah, mas o Mindinho tem olhos por todo o lugar”, que pelo menos colocassem uma criada ou um garoto de recados passando ao fundo durante as discussões das irmãs.

Acho que no fundo eles sabiam que manter a inimizade entre elas depois de tantos anos era absurdo, por isso fizeram de tudo para que a gente pensasse que ela era real, mesmo que isso tenha comprometido a lógica da trama no final. Mesmo assim, todos nós desconfiávamos que o desfecho seria esse, então por mais satisfatório que tenha sido, o plot twist não foi assim tão eficaz. No fim, essa trama acabou nos custando um tempo que teria sido muito melhor aproveitado no desenvolvimento dos três Stark e na reconstrução dos seus laços como irmãos.

the dragon and the wolfAcho que os três tiveram só uma cena juntos em toda a temporada.

 

Bom, mais tarde, Arya e Sansa conversam do topo das ameias. Sobre a morte do Mindinho, Sansa diz que é estranho, porque de um jeito horrível ele a amava (ah Sansa, como estamos felizes por você ter saído desse relacionamento abusivo). Arya diz que ela fez a coisa certa e as duas ficam jogando os créditos uma para outra. Sansa pergunta se incomoda o fato de ela ser Lady de Winterfell, e Arya responde que sempre soube que nunca seria uma Lady tão boa quanto Sansa, e que por isso precisava ser outra coisa. Ela completa dizendo que nunca teria sobrevivido ao que Sansa passou, mas Sansa diz que teria sim, porque a irmã é a pessoa mais forte que ela conhece. Elas se provocam de um jeito terno, como irmãs, e Arya diz que no inverno elas precisam cuidar uma da outra. Sansa lembra então da fala do pai: “quando as neves caem e o vento frio sopra, o cão solitário morre, mas a matilha sobrevive”. Elas concluem dizendo que sentem falta dele.

the dragon and the wolfEnquanto na temporada passada a conversa de Jon e Sansa nas ameias prenunciava um conflito, nessa a conversa nas ameias foi o fortalecimento dos vínculos entre os Stark.

 

Só uma pequena crítica a esse diálogo – não, Arya não teria sobrevivido ao que Sansa passou, assim como Sansa não teria sobrevivido ao que Arya passou. Esse é exatamente o ponto. Tirando isso, gostei muito da lembrança da fala do Ned dos livros e acho muito bacana pensarmos nela em relação à Cersei. Com a partida do Jaime, ela é agora um lobo solitário, e a menos que mude de atitude acabará morta.

Ah, e tenho mais uma crítica sim: e a Catelyn? Eu só vejo o pessoal enaltecendo ou sentindo saudade do Ned Stark, mas por mais que eu o ame, essas crianças tinham uma mãe também. É incrível como a série apagou completamente toda a memória da Catelyn depois que ela morreu. E mais enfurecedor ainda quando lembramos que nos livros ela continua viva, de alguma forma.    

Enfim, em outro momento, Sam chega a Winterfell. Ele vai falar com o Bran, que o reconhece e conta que agora é o corvo de três olhos. Como todo mundo ao ouvir essa revelação, Sam faz cara de paisagem, e Bran explica que consegue ver o passado e o que está acontecendo agora. Ele diz que Jon está vindo para Winterfell com Daenerys Targaryen e que precisa lhe contar a verdade: que Jon é na verdade filho bastardo de Lyanna com o Rhaegar. Mas é claro que nesse momento o Sam vai roubar os créditos pela descoberta da Gilly, então ele lembra do diário do septão, que registrou a anulação do casamento do Rhaegar e o casou novamente em uma cerimônia secreta em Dorne. Para confirmar, Bran conecta na internet rapidinho e vê o momento em que Rhaegar e Lyanna se casam, assim como o nome verdadeiro do Jon, que Lyanna sussurrou ao Ned em seu leito de morte: Aegon Targaryen.

the dragon and the wolfEssa sua conexão é muito boa, quantos mega?

 

Conforme o Bran narra isso para o Sam e diz que a rebelião do Robert foi baseada em uma mentira porque Lyanna e Rhaegar se amavam, vemos Jon Snow entrando na cabine da Daenerys. Quando eles estão transando, temos a conclusão da narrativa do Bran: Jon Snow é na verdade o verdadeiro herdeiro do trono de ferro.

the dragon and the wolfE sobrinho da mina que ele está pegando.

 

Do lado de fora da cabine, Tyrion está nas sombras e observa a porta fechada com uma expressão preocupada. Como eu disse lá em cima, é possível que ele tenha prometido alguma coisa para a Cersei e agora está preocupado com a união do Jon e da Dany. Seja como for, imagino que agora que o Mindinho morreu, alguém precisa assumir a sua posição creepy em nichos escuros na parede.

Enfim, o que dizer? Eu tenho muitos sentimentos em relação a essa sequência toda. Vamos começar do começo.

O Sam ainda não sabe da morte do pai e do irmão? Tudo indica que não, porque senão ele certamente teria uma reação mais forte à notícia de que Jon se aliou a Dany. Eu sei que o pai dele era detestável, mas ainda assim era o seu pai. Algum sentimento ele deve ter em relação à sua morte, nem que seja alívio. De qualquer forma, parece que os roteiristas optaram por não nos mostrar mais complexidade no Sam, pelo menos não nessa temporada. Lembre-se que agora ele é um cara que quer protagonizar grandes feitos, e Caras Fodas™ não têm tempo para complexidade emocional. Enfim.

Na sequência, temos toda a revelação sobre a identidade do Jon. Não detestei a cena, mas achei uma pena ter sido tão corrida e gratuita. Por que motivo o Bran contaria essas coisas para o Sam? E mesmo se há um motivo, por que ele contaria assim logo de cara? A impressão que dá é que os roteiristas só lembraram que tinham que falar sobre isso na última hora e inventaram uma sequência de três minutos rapidinho que soletrasse para o público quem é Jon Snow. As visões do Bran também estão muito gratuitas – é literalmente “peraí, deixa eu dar um Google” pra ele descobrir toda e qualquer verdade. Isso tira a complexidade da trama, fica tudo muito fácil. Teria sido muito mais interessante se nessa temporada o Bran ainda estivesse lutando com as suas habilidades e o seu papel como o corvo, ao invés de se tornar o robô sabe-tudo-mas-só-o-que-é-conveniente-saber-agora.

the dragon and the wolfEu ainda quero dar uns tapa nele pra ver se acorda.

 

Outra coisa: e o Howland Reed? Tudo indica que ele sabe que Jon é filho da Lyanna, pois sobreviveu à Torre da Alegria junto com o Ned. Infelizmente a série optou por ignorar completamente esse personagem, mesmo mencionando-o várias vezes e lhe dando um papel fundamental no resgate da irmã do Ned. É verdade que as fontes sobre a identidade do Jon não são muito críveis – tem o garoto que vê coisas e o diário do septão, que pelo o que eu me lembre não registrou o nome da Lyanna. Será que é possível que o Howland ainda apareça para confirmar tudo isso?

the dragon and the wolfA expressão de quem achava que teria um papel muito maior.

 

Além disso, falar que a rebelião do Robert foi baseada em uma mentira é um pouco exagerado, Bran. Sim, o suposto sequestro da Lyanna colocou as coisas em movimento, mas o Rei Louco era louco muito antes disso e já tinha muita gente com bons motivos para querer destroná-lo. Lembre-se que ele matou o pai e o irmão do Ned queimados vivos.

Sobre a revelação do Jon em si, eu não curto muito a parte da anulação do casamento do Rhaegar com a Elia. Uma porque isso faz com que o Rhaegar seja um cretino desprezível por ter deslegitimado tanto a Elia como os dois filhos que teve com ela. E outra porque eu genuinamente acho que a história seria muito mais interessante se o Jon fosse um bastardo e um herói. Legitimá-lo – ainda mais dessa forma porca que fizeram, com o diário do septão caindo no colo da Gilly – apenas nos passa a mensagem de que é preciso ser legítimo para ser foda. E na real, isso nem importa, porque ele já foi eleito Rei do Norte. É óbvio que a sua bastardia não incomoda mais ninguém. De qualquer forma, mesmo que isso fosse importante, por que não fazer com que Daenery o legitimasse?

Além disso, teria sido muito mais trágico e interessante se Rhaegar e Lyanna tivessem tido um amor proibido – inclusive pelo alto septão que os casou. Imaginem que maravilhoso se tivéssemos visto o torneio de Harrenhal, a confirmação de que Lyanna era o Cavaleiro da Árvore que Ri e de que ela e o Rhaegar se apaixonaram ali. Muito triste que no lugar disso tenhamos tido um cena chocha de um casamento que não faz muito sentido.

the dragon and the wolfEles não precisavam ter se casado pra gente saber que se amavam.

 

Enfim, sobre o nome dele realmente ser Aegon, eu como leitora dos livros me sinto afrontada (porque o filho do Rhaegar com a Elia já se chamava Aegon), mas realmente não me importo tanto na série. Infelizmente eles chegaram a mencionar o nome do menino em outras temporadas, mas foi uma ou duas vezes, então pelo o que entendo os roteiristas estão fingindo que ele tinha outro nome. Tem que ser isso, porque seria cretino demais dar o mesmo nome para as duas crianças.

Bem, a última cena em Winterfell nos mostra Bran aos pés da árvore coração, claramente em uma de suas visões. E o que ele está vendo é…

Atalaialeste

Em Atalaialeste, Tormund e Beric observam do topo da Muralha quando o exército dos mortos cruza a linha das árvores lá embaixo. Ouvimos os berrantes soarem três vezes, o que me arrepia a espinha, porque essa coisa dos três toques é construída para trazer muita tensão (pelo menos nos livros). Logo, Aquele que Não Deve ser Nomead…quer dizer, o Rei na Noite aparece montado no seu novo dragão zumbi e começa a vomitar alguma espécie de fogo azul na muralha. Aos poucos, tudo começa a desmoronar até cair de vez. Tormund, ao que me pareceu, conseguiu escapar e ficou na parte intacta da Muralha. Um bom pedaço dela cai, no entanto, e os mortos atravessam. Impassíveis, mas letais.

the dragon and the wolfEita, delícia!

 

E assim chegamos naquela cena que era o que eu mais queria ver desde sempre: a muralha caindo! Eu preferia que tivesse caído por algum motivo menos estúpido do que um dragão de gelo que o Rei da Noite só conseguiu por causa daquele plano imbecil? Sim, obviamente. Nos livros temos o tal Berrante de Joramun, e mesmo na série tínhamos a possibilidade da magia da muralha se perder quando o Bran atravessasse de volta. Maaaas, o que tivemos foi dragão de gelo, então ok.

De qualquer forma, a cena foi incrível e apesar de todas as dores e pesares, eu admito: estou na expectativa para a oitava temporada.


Fique ligado, porque em breve faremos um texto de análise de toda a temporada! Por enquanto, confira as resenhas de todos os episódios dessa temporada e as nossas análises de personagem Livro x Filme.