Game of Thrones T07E04 – Reencontros, Aproximações e muito Fogo e Sangue

O episódio mais curto de toda a história de Game of Thrones conseguiu retomar o ritmo dessa temporada.  

spoils of war

Eu devo confessar que estava com as expectativas bem baixas para o episódio Spoils of War, o quarto da sétima temporada de Game of Thrones. Fiquei bem incomodada com a quantidade de furos, correrias e incoerências do terceiro episódio, e já supus que veria um repeteco daquilo essa semana – ainda mais por ser o episódio mais curto de toda a história de Game of Thrones, com apenas cinquenta minutos de duração.

Mas, embora algumas coisas tenham deixado a desejar, outras superaram em muito as minhas expectativas (e não, eu não estou falando só do Drogon tocando o terror…embora isso tenha sido um fator bem importante para o meu aproveitamento). Enfim, vamos marchar para mais uma resenha do episódio então, núcleo por núcleo.   

OBS: Como cada vez mais personagens estão se reunindo nos mesmos lugares, vou separar os núcleos por região nesse texto.  

Porto Real

spoils of war

Nesse momento, Cersei é a única personagem de destaque que restou em Porto Real. Na única cena em que a vemos nesse episódio, ela conversa com Thycos Nestoris, o representante do Banco de Ferro de Bravos, sobre a dívida que será paga assim que o ouro dos Tyrell chegar em Porto Real.

Thycos está encantando com o desenrolar dos acontecimentos, e chega a comentar que acha que Cersei é ainda mais eficiente que Tywin. Com os olhinhos brilhando, ele sugere que o banco está louco para voltar a fazer negócios, o que deixa Cersei satisfeita, já que ela mandou o Qyburn entrar em contato com a Companhia Dourada para aumentar as suas forças. Tychos diz que ela poderá contar com o Banco de Ferro para alcançar seus objetivos…assim que o ouro chegar às suas mãos.

Três coisas me chamaram a atenção nessa cena: a menção à Companhia Dourada, o condicional “desde que o ouro chegue”, e os elogios de Tychos a Cersei.

Se você não leu os livros, a Companhia Dourada é uma companhia de mercenários de Essos fundada por exilados westerosi que apoiaram os Blackfyre contra os Targaryen (os Blackfyre foram brevemente uma Casa composta por bastardos Targaryen). Nos livros, tem todo um núcleo que consiste na Companhia Dourada apoiando um pretendente misterioso ao trono, então é bem interessante ela ter sido mencionada nesse episódio. Não acho que a série vai ser fiel aos livros nesse ponto, mas seria legal se a companhia tivesse algum papel de destaque também na televisão.

Já os elogios de Tychos à Cersei chamaram atenção porque eles estão muito persistentes. Desde a primeira vez que ele aparece nessa temporada, Tychos vem comparando a filha com o pai. Isso é interessantíssimo, porque Cersei sempre buscou a aprovação de Tywin e quis ser respeitada como ele – uma questão ainda mais evidente nos livros:

“(…) estava farta de ter Jaime contrariando-a. Nunca ninguém contrariara o senhor seu pai. Quando Tywin Lannister falava, os homens obedeciam. Quando Cersei falava, sentiam-se livres para aconselhá-la, contradizê-la e até se recusarem a fazer o que ela queria. Tudo porque sou mulher. Porque não posso lutar com eles com uma espada. Tinham por Robert mais respeito do que têm por mim, e Robert era um bêbado desmiolado.”

Cersei é um dos personagens mais complexos, tanto na série como nos livros, e um dos principais motivos é a sua misoginia internalizada, que faz com que ela se ressinta profundamente por ter nascido mulher. Ela odeia as outras mulheres e se imagina como a grande exceção de seu gênero. Aliás, não é a toa que Cersei também ridiculariza homens que não sabem lutar e perde quase todo o respeito pelo Jaime quando ele perde a mão (isso nos livros).

“Se os deuses tivessem lhe dado a força que deram a Jaime e àquele imbecil fanfarrão de Robert, ela poderia fugir. Oh, por uma espada e pela habilidade de empunhá-la. Ela tinha o coração de um guerreiro, mas os deuses, em sua malícia cega, haviam lhe dado o corpo fraco de uma mulher.”

Nesse sentido, Tywin é seu grande modelo de homem – não para ter ao seu lado, mas para ser. O que é estranho é que nos livros ela não é nem de longe competente como o pai – aliás, ela comete erros estúpidos o tempo inteiro, todo o tempo pensando em como Tywin se orgulharia dela, conforme se afunda cada vez mais. A série parece estar fazendo de Cersei uma líder mais competente, mas a persistência do Tychos em compará-la com o pai talvez indique que em breve ela vai começar a cometer alguns erros irremediáveis. A explosão do septo e aliança com o Euron já foram jogadas bem perigosas, que podem muito bem se voltar contra ela logo logo.

Por último, o fato de a cena acabar com Tychos garantindo o apoio do banco desde que o dinheiro chegue também é suspeito. Será mesmo que esse dinheiro vai chegar? Eu sei que mais pro fim do episódio o Randyll Tarly anuncia que o ouro já passou pelos portões de Porto Real, mas ainda assim, algo pode acontecer. Veremos.

Winterfell

spoils of war

A primeira cena em Winterfell do episódio nos mostra uma imagem bizarra – Bran e Mindinho conversando em particular. Se bem que não sei se dá para chamar aquilo de conversa, porque o Bran só fica lá, com a expressão morto-por-dentro dele, ouvindo as asneiras do Mindinho.

Bem, Mindinho entrega ao garoto a adaga de aço valiriano que foi usada contra Bran em seu leito de doente, lá na primeira temporada. Foi por causa dessa tentativa de assassinato que Catelyn foi a Porto Real e acabou no encalço do Tyrion, o que desencadeou um monte de acontecimento de merda para os Stark. É também essa adaga que o Mindinho usou para render o Ned quando o traiu, mas isso ele não quis contar para o Bran.

Mas tudo bem, porque se o garoto ainda não sabe disso, ele provavelmente vai saber. Quando o Mindinho começa a falar sobre os perrengues que o Bran passou apenas para voltar para casa e encontrar o caos instalado, Bran o interrompe e sombriamente diz:

spoils of war“O caos é uma escada”.

 

Mindinho fica visivelmente abalado com a fala – e com razão, porque foi exatamente isso que ele disse ao Varys umas temporadas atrás, lá em Porto Real. Isso significa que o Bran conseguiu ver essa conversa, e provavelmente conseguirá ver ainda muito mais quando aperfeiçoar suas habilidades. No episódio passado, o garoto diz que só consegue visualizar fragmentos. Isso pode significar que o Bran não está se fazendo de joão sem braço ao não contar às irmãs tudo o que o Mindinho aprontou contra os Stark, mas sim que ele simplesmente não entendeu todo o contexto das coisas que está vendo.

A questão é: o que o Mindinho quer? Durante a conversa, ele se refere ao garoto como Lorde Stark, então talvez ele esteja tentando se aproximar daquele que ele acredita que agora é o senhor legítimo de Winterfell. Mas por que dar a adaga? Eu vi uma teoria de que seria uma tentativa de voltar o Bran contra o Jon, por causa da sua proximidade com o Tyrion – a pessoa que supostamente seria a dona antiga da adaga. Pessoalmente, acho essa teoria altamente improvável, mas enfim.

É interessante também o fato de Bran ter perguntado ao Mindinho se ele sabia a quem pertencera a adaga – isto é, quem foi seu primeiro dono. É provável que o Bran já saiba a resposta a essa pergunta e que ela seja bem importante para o futuro.

De qualquer forma, Bran conseguiu dar um susto no Mindinho, mas a cena é interrompida por Meera, que aparentemente não recebeu nem uma roupa nova de Winterfell.

spoils of war

Mindinho se retira e Bran conclui, sem emoção nenhuma, que Meera veio lhe dizer adeus. Ela confirma, dizendo que quer estar com sua família quando a Longa Noite chegar e que Bran não precisa mais dela. Com zero sensibilidade, o garoto concorda, o que deixa Meera bem puta (com razão). Como um morto, ele agradece a ajuda que ela deu, ao que ela começa a chorar, dizendo que Jojen, Hodor e Verão perderam a vida por ele, assim como ela quase perdeu. Bran diz então que não é mais Bran, não de verdade, e que até se lembra de como é ser Brandon Stark, mas que isso se perde no meio de tantas outras lembranças. Arrasada, Meera conclui que o Bran que ela conhecia morreu na caverna, e se retira.

Gostei muito dessa cena, porque de alguma forma ela explica o estado catatônico do garoto. Sim, aquele não é o Bran, e embora isso seja tremendamente triste, também nos permite seguir em frente para entender melhor esse novo personagem. Eu ainda quero estapear o garoto, mas para mim ele agora é um dos personagens mais interessantes da série, e deve trazer ainda muitas revelações.

É bom que traga. *Suspiro*

 

Quanto a Meera, eu realmente espero que a personagem apareça novamente e acredito que ela ainda vai nos apresentar o pai. Howland Reed teve um papel importantíssimo na cena da Torre da Alegria na temporada passada, e nessa temporada já foi mencionado por Meera uma vez, quando ela e Bran chegam na Muralha.

Bem, na próxima cena, Arya observa Winterfell ao longe. Em seguida, vemos a garota se aproximando a pé dos portões do castelo, onde é bloqueada por dois guardas trapalhões. Esses dois parecem imbecis, mas aparentemente assistiram toda a montagem de luta da Arya da temporada passada, porque imediatamente veem nela uma ameaça e não querem deixá-la entrar. Eles também não acreditam quando ela lhes diz quem é, e o mais burro deles até tenta dar um soco numa garotinha que não fez absolutamente nada contra ele.

Arya perde a paciência e se lembra que lá na primeira temporada os guardas da Fortaleza Vermelha também não acreditavam que ela era Arya Stark, e que precisaram de uma boa dose de intimidação para serem convencidos.

Sou Arya Stark de Winterfell e se vocês encostarem em mim meu pai vai ter a cabeça de ambas em uma estaca.

 

Ela usa a mesma tática, falando que se Sansa souber que os dois deixaram sua irmã para fora do castelo, não vai gostar nadinha. Os dois se entreolham, deixam ela passar pelos portões, mas ficam discutindo como dois paspalhos sobre quem vai falar com a Sansa. Sinceramente, o que a Sansa anda fazendo para causar tamanho pavor nas pessoas?

spoils of warAh é.

 

Bom, no fim, a Arya some e os dois precisam ir falar para a Sansa que perderam uma garota que se dizia irmã dela. No começo, Sansa parece não levar muito a sério, mas quando eles dizem que Arya mencionou Meistre Luwin e Sor Rodrik, ela esboça um sorriso e diz saber onde está a irmã mais nova.

Juro, esse tipo de cena seria totalmente aceitável se a temporada tivesse os seus dez episódios habituais. Como não tem, eu só fico irritada, pensando “porra, pára de perder tempo com essa merda!”. Parte da mágica de curtir dois paspalhos fazendo paspalhices se perdeu, infelizmente.

Enfim, nas criptas de Winterfell, Arya observa a estátua de seu pai quando Sansa aparece. De longe, Arya pergunta se precisa chamá-la de Lady Sansa de agora em diante, ao que Sansa diz que sim, e sorri. Ela vai até a irmã mais nova e a abraça, mas Arya retribui sem muita emoção. Ela pergunta se Jon deixou Sansa no comando e não parece gostar muito quando ouve a confirmação. Sansa a desarma, no entanto, quando fala sobre como Jon vai ficar feliz quando ver a irmãzinha. Arya sorri genuinamente pela primeira vez em, sei lá, anos.

spoils of warÉ estranho.

 

Arya pergunta a Sansa se ela matou o Joffrey e elas acabam falando sobre sua lista de morte. Com toda a naturalidade, a garota explica à irmã que tem uma lista de pessoas que pretende matar, mas Sansa dá risada, achando que é brincadeira. Elas comentam sobre como suas histórias foram longas e dolorosas desde que se separaram, mas Arya diz que a elas ainda não acabaram. Por fim, ela finalmente dá um abraço decente na irmã.

spoils of warFinalmente, Sansa tem um abraço retribuído.

 

Essa era uma das cenas que eu mais queria ver, mas é triste porque eu não senti quase nada. Entendo que as duas irmãs não eram próximas, mas elas eram irmãs acima de tudo e perderam as mesmas pessoas queridas. Com certeza isso seria o suficiente para criar uma aproximação entre elas. Mas não, nem trilha sonora tivemos nessa cena. E mesmo a chegada de Arya em Winterfell é tratada sem muita emoção. Ela olha em volta, absorvendo o lugar, mas não temos realmente a noção de como aquilo é importante. Eu já trouxe esse trecho dos livros em outro texto, mas aqui vai de novo:

“A Agulha era Robb, Bran e Rickon, a mãe e o pai, até Sansa. Agulha era as muralhas cinzentas de Winterfell, e o riso do seu povo. Agulha era as neves de verão, as histórias da Velha Ama, a árvore-coração com suas folhas vermelhas e seu aspecto assustador, o cheiro quente de terra dos jardins de vidro, o som do vento do norte estremecendo as janelas do seu quarto. Agulha era o sorriso de Jon Snow. Ele costumava despentear meus cabelos e me chamar de ‘irmãzinha’, recordou, e de repente lágrimas brotaram em seus olhos.”

Arya tem uma conexão inabalável com sua casa e sua família, e voltar para eles deveria ser o momento mais significativo para a personagem em toda a série. Mas a impressão que deu é que os roteiristas a levaram para Winterfell a contragosto, apenas para cumprir tabela, porque não demora nem dois minutos para que a personagem comece a falar de sua lista novamente. É óbvio que, para eles, Arya se tornou apenas uma arma.

Enfim, faltou emoção e profundidade, mas ao mesmo tempo o constrangimento que parece existir entre os três irmãos Stark me parece realista. Os três passaram muito tempo separados, viram e sofreram coisas terríveis, então é compreensível que demore para eles se conectarem novamente.

Bom, Sansa diz à irmã que o Bran também está lá, mas não dá muito tempo de ela ficar feliz, porque…bem.

spoils of warEsse cara.

 

Na próxima cena, elas encontram o Bran estático na árvore coração, e Arya parece um pouco mais impactada ao vê-lo. Ela o abraça e ele sorri levemente, sem perder sua expressão morto-por-dentro. Bran diz que viu a irmã na estalagem do entroncamento, e que achou que ela ia para Porto Real. Compreensivelmente, Arya fica confusa, e Sansa explica que o irmão vê coisas agora. Ela também pergunta por que Arya queria voltar para Porto Real, e Bran diz que Cersei está na lista dela. Sansa percebe que a tal lista de morte da irmã é verdadeira, e pergunta quem mais está listado. Arya responde que a maioria já morreu.

Oh boy.

 

Enfim, Bran tira a adaga que o Mindinho lhe deu, e Sansa fica preocupada, porque isso significa que aquele traste quer alguma coisa. Bran diz que isso não importa e dá a adaga a Arya.

Eu tive que rir do quão anticlimática foi essa cena. Aqui estávamos os fãs, fazendo mil teorias de como a adaga ia parar na cintura da Arya (a atriz aparece com ela em uma das fotos promocionais da série), imaginando que ela mataria o Mindinho e pegaria sua arma, quando na verdade o Bran simplesmente a entrega para a irmã.

Mas tudo bem, porque tudo indica que ainda tem caroço nesse angu – ainda mais quando a gente lembra que essa mesma adaga aparece desenhada em um dos livros estudados pelo Sam, na Citadela.

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Além disso, é provável que Bran saiba por que é importante que Arya a tenha, e por isso a repassou para a irmã.

Bom, mais tarde, os três Stark caminham pelo pátio de Winterfell e são observados por Brienne e Pod, que diz que ela deveria se sentir orgulhosa por cumprir seu juramento a Catelyn. Brienne diz que não fez quase nada para contribuir com aquela cena, ao que Pod discorda, afirmando que ela é muito dura consigo mesma. Pessoalmente, eu concordo com a Brienne – ela tentou, mas com exceção de Sansa ela não conseguiu fazer muito para proteger os irmãos Stark. Enfim, Mindinho também observa os três, é claro.

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Na última cena em Winterfell, Arya se aproxima de Pod e Brienne em treinamento e diz que quer treinar com Brienne. Elas lutam e percebem que são páreo uma para a outra. Sansa observa com uma expressão incomodada no rosto. Mindinho também as observa, e recebe uma boa encarada com cara de poucos amigos por parte da Arya.

Ainda não entendi por que a Sansa parece incomodada ao ver Arya lutando. Só consigo pensar que ela está assustada com o que a irmã se tornou – ainda mais depois daquele papo todo de lista de assassinato. Alguns falaram que Sansa está com inveja, mas se for isso eu vou ficar bem chateada. Sansa nunca teve interesse nenhum em lutar. Sua estratégia é completamente outra e vai muito bem, obrigada. Lembremos que não é só a adesão a ideais de masculinidade tóxica que faz de uma mulher empoderada. O problema é que os roteiristas já nos deram vários sinais de que acreditam que mulher empoderada é mulher que luta, então é bem capaz que eles criem intriga entre as irmãs por causa disso. Seria de cair o c* da bunda, mas não impossível, infelizmente.

Pedra do Dragão

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Enquanto isso, em Pedra do Dragão, Dany e Missandei descem as escadarias até a praia conversando sobre Verme Cinzento. Dany tem um momento bff e pergunta o que realmente aconteceu entre eles, mas antes de Missandei ser mais específica, elas são interrompidas pelo Jon Snow, que as espera na praia.

spoils of warESSA CONVERSA NÃO ACABOU, MIGA, TU VAI ME CONTAR TODOS OS DETALHES, VAI SIM!

 

Dany dispensa os guardas e segue com Jon e Missandei até uma caverna na praia, onde Jon lhe mostra todo o vidro de dragão que eles pretendem minerar. Dany fica impactada com o lugar, mas Jon a leva ainda mais para dentro da caverna e lhe mostra uma câmara cheia de desenhos circulares nas pedras, feitos pelos filhos da floresta. Dany tem um momento de deslumbramento pela história daquele lugar, tão maior que as disputas que vieram depois entre Targaryens, Starks e Lannisters. Mas Jon não terminou, e em outra parede mostra os desenhos dos filhos da florestas com os primeiros homens, unidos contra um inimigo em comum: os caminhantes brancos.

spoils of warSe bem que é muito provável que o Jon tenha desenhado as bagaça uns minutos antes da Dany chegar.

 

Dany fica genuinamente impressionada com tudo, e diz que vai lutar por Jon e pelo Norte, contanto que ele dobre o joelho. Jon diz que os nortenhos não aceitarão um governante do sul, e Dany responde que aceitarão se ele aceitar. Ela completa dizendo que eles o escolheram para liderá-los e protegê-los, e pergunta se a sobrevivência deles não vale mais do que o seu orgulho.

Apesar dos desenhos super convenientes na caverna, gostei bastante dessa cena. Ela mostra Dany e Jon em um momento mais desarmado, onde eles podem conversar francamente. Gostei também que apesar de haver uma sugestão de romance entre os dois, isso não fica escancarado, e os personagens ainda preservam suas ressalvas e seus objetivos. Pessoalmente, eu sempre achei muito clichê a possibilidade desses dois se apaixonarem, mas confesso que não odeio a ideia. Se for feito de forma verossímil, posso até curtir.

É bacana também como Dany usa uma fala que o próprio Jon usou com Mance Rayder, quando tentou convencer o líder dos selvagens a se ajoelhar para o Stannis, na quinta temporada. Dá pra ver que o Jon reconhece a fala e fica pensativo, o que pode levá-lo a se ajoelhar para Daenerys eventualmente.

Enfim, quando eles saem da caverna, Tyrion e Varys esperam do lado de fora, com cara de quem acabou de assistir o episódio passado.

spoils of warConta você. Eu não, conta você!

 

Dany fica compreensivelmente puta com as notícias e sugere que os planos do Tyrion falham porque no fundo ele não quer machucar sua família. Ela quer pegar os dragões e partir para Porto Real, e pergunta que tipo de rainha seria se não estivesse disposta a se arriscar pelo seu povo. Quando Tyrion vai contra esse plano, ela se volta para Jon Snow, que tentou sair de fininho do climão, mas não conseguiu. Ela pede a sua opinião, e ele diz que as pessoas a seguem porque acreditam que é ela é capaz de fazer coisas impossíveis acontecerem (vide os dragões), como criar um mundo diferente e melhor para todo mundo. E que se ela sair queimando castelos e cidades, vai ser apenas mais do mesmo. Dany silencia e fica pensativa.

Mais tarde, Jon e Davos caminham pela passarela de Pedra do Dragão e discutem Dany. Jon diz que acha que ela tem um bom coração, Davos rebate com umas indiretas bem diretas e Jon se nega, dizendo que não tem “tempo pra isso”.

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Eles encontram Missandei no meio do caminho e resolvem bater papo com ela. Jon explica a ela o conceito de bastardia, que não existe em sua terra natal, e ela explica ao Jon como foi escravizada quando criança e acabou sendo comprada por Daenerys, que a libertou. Ela diz que segue Dany porque acredita nela, não porque seu pai era algum fulano qualquer. E completa dizendo que se quisesse ir para Naath, sua terra natal, Dany lhe arrumaria um navio para levá-la de volta para casa. Davos e Jon ficam impressionados.

Toda semana as pessoas ficam discutindo se Daenerys está ficando louca como seu pai. Eu já falei sobre isso na resenha sobre o episódio Stormborn, porque eu acredito que a má adaptação da personagem para a televisão faz parecer que ela pode se tornar uma vilã. Mesmo assim, eu não vejo nenhum indício de que Dany está ficando louca, e quanto mais a temporada avança, mais claro fica de que ela é de fato um personagem do bem. Ela reluta em matar inocentes, ouve seus conselheiros e aliados, e tem a lealdade de milhares de pessoas que a seguem porque a escolheram, não por medo. Ela já poderia ter queimado Jon Snow por não se ajoelhar, mas ao invés disso abre caminhos para que eles possam se tornar aliados. Como Jon disse, Daenerys tem um bom coração, e não há nada que indique que suas faculdades mentais não estão muito bem preservadas.

“Ah, mas e a batalha no final do episódio, em que ela mata todas aquelas pessoas?”

Prazer, isso se chama guerra. Não é bonito e nem louvável, mas é assim que funciona. Robb Stark matou dezenas no campo de batalha com seu lobo gigante, mas ninguém achou que ele estava ficando louco. Por que seria diferente com Daenerys? Aliás, o fato de ela ouvir seus conselheiros e partir para encontrar o exército Lannister só prova que a personagem está com a cabeça no lugar certo.

Bom, ao longe, os três reparam que um navio Greyjoy se aproxima, e descem para a praia para recepcioná-los. Theon está entre eles, e é a primeira vez que Jon o vê desde toda a merda que o personagem fez desde a primeira temporada. Theon fica sem jeito e pergunta de Sansa, ao que Jon avança sobre ele e diz que só não o mata porque ele ajudou sua irmã. Quando todos se acalmam, Theon diz que Yara foi capturada e veio pedir a ajuda de Daenerys para resgatá-la.

Mas, todavia, entretanto, porém…a rainha não está lá.  

A Campina

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Nos arredores de Jardim de Cima, Jaime paga Bronn com uma saca de uma carroça lotada de ouro que segue para Porto Real. Mesmo assim, Bronn não está satisfeito e diz querer um castelo. Jaime não o leva muito a sério, e eles cavalgam junto a fileira do exército Lannister, com Jaime dando ordens aos Tarly para que sejam recolhidos os grãos das colheitas da região, para levar para Porto Real.

Mais tarde, em algum lugar da Campina às margens de um rio (é o Água Negra?) os soldados Lannister se movimentam em fileira. Randyll Tarly anuncia a Jamie que o ouro chegou a Porto Real e que eles precisam se apressar para evitar uma emboscada. Ele sugere açoitar os retardatários, mas Jaime parece ainda ter um coração e discorda.

Jaime e Bronn conversam com Dickon sobre a batalha e Jardim de Cima – a primeira do jovem Tarly. Após alguma hesitação, ele diz que ficou impressionado com os cheiros e que foi difícil matar aqueles homens que ele conhecia desde criança.  

De repente, Bronn ouve um barulho e todos ficam preocupados, porque sim! Tudo indica que um exército gigante de dothrakis se aproxima. E não só eles.

TIME DAENERYS PRESENTE!

 

Bom, a partir daí é só caos, destruição e hype. Vou passar rapidamente pelos acontecimentos: Dany queima a galera, os dothraki matam a galera, o Tyrion observa de longe com peso no coração, o Bronn acerta um arpão no Drogon, que felizmente só se machuca, destrói a balista do Qyburn e quase torra o Jaime quando ele tenta investir contra a Dany. No final, alguém salva o Jaime no último segundo empurrando-o para a água, e o episódio acaba com ele afundando para o fundo do rio.

spoils of warQuão fundo é esse rio, minha gente?

 

Pessoalmente, eu acho que essa foi a batalha mais incrível que eu já vi em série ou filme. Os efeitos são impecáveis, e tem aquele elemento do caos da batalha que vimos também na Batalha dos Bastardos, na temporada passada. É gente queimando, cambaleando, sendo atropelada por cavalo. Também gostei que houve um momento em que vemos os soldados morrendo, desesperados com o fogo, o que nos permite sentir o horror da guerra.

Além disso,  esse é um conflito muito interessante, porque não é simplesmente o bem contra o mal, como foi na Batalha dos Bastardos. Temos personagens queridos dos dois lados, e a câmera faz questão de focar também em Tyrion, para mostrar a complexidade dos sentimentos dele. Tyrion é aquele cara que nunca aposta contra a família, lembra? Como deve ser estar agora lutando contra ela?

Bom, no fim parece que Daenerys avançou algumas casas e conseguiu dar um golpe muito bem dado contra os Lannister (embora eu ache que ainda não chegou a vez do Jaime). Quanto a Drogon, acho que podemos todos respirar sossegados, porque ele parece vivo e saudável no trailer do próximo episódio.

spoils of warEspero que isso não conte como spoiler.

 

Termino essa resenha esperançosa para os próximos episódios, e com um trecho de A Guerra dos Tronos que me enche de expectativa para o reencontro mais esperado do momento, de Jon com Arya.

“Tinha saudade de seus verdadeiros irmãos: o pequeno Rickon, com os olhos inteligentes brilhando enquanto suplicava um doce; Robb, seu rival, melhor amigo e constante companheiro; Bran, teimoso e curioso, sempre querendo seguir Jon e Robb e juntar-se ao que quer que fosse que estivessem fazendo. Também sentia falta das meninas, até de Sansa, que nunca o chamava de outra coisa a não ser “o meu meio-irmão”, pois já tinha idade para saber o que bastardo queria dizer. E Arya…tinha ainda mais saudades dela do que de Robb, aquela coisinha magricela, sempre de joelhos esfolados, cabelos emaranhados e roupas rasgadas, feroz e voluntariosa. Arya nunca parecera ajustada, nunca mais do que ele…mas sempre conseguia fazer Jon sorrir. Daria qualquer coisa para estar com ela agora, despentear-lhe os cabelos uma vez mais e observá-la fazer uma careta, ouvi-la terminar uma frase com ele.”


Leia também Game of Thrones T07E03 – Um Encontro Muito Esperado Seguido de Muita Conveniência de Roteiro.