Game of Thrones T07E05 – Planos Mirabolantes, Intrigas e o Retorno Triunfal da Conveniência de Roteiro

Em Eastwatch, somos preparados para mais acontecimentos épicos no fim da temporada em detrimento da complexidade e desenvolvimento dos personagens.

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Contém spoilers da série até o episódio cinco da sétima temporada. Atenção: nós não assistimos ao episódio vazado e nem vamos assistir até o lançamento oficial, por isso não deixe spoilers nos comentários!

É oficial: assistimos essa semana o episódio Eastwatch, o que significa que estamos na reta final da sétima temporada de Game of Thrones. Esse é um dos motivos pelos quais eu escrevo essa resenha com certa amargura. O outro é o fato desse quinto episódio ter sido recheado de inconsistências e soluções fáceis em uma série que já foi tão complexa e atenta a detalhes no passado.

Mas estou me adiantando. Antes que eu comece a reclamar logo no primeiro parágrafo desse texto, vamos logo tomar esse banho de água gelada com a resenha em si, núcleo por núcleo.

Campina

O episódio abre com aquilo que todo mundo já sabia: Jaime não morreu. Mesmo vestindo armadura completa e uma mão de ouro, Bronn conseguiu empurrá-lo do cavalo na hora H e levá-lo nadando até o outro lado do rio, para longe da batalha. Ele diz que arriscou a vida fazendo tudo isso porque o Jaime ainda lhe deve, enquanto o próprio Jamie reflete chocado sobre o poder dos dragões. Bronn diz que o contrato deles acaba onde os dragões começam, mas curiosamente permanece com os Lannisters, porque mais tarde é ele quem arruma o encontro entre Tyrion e Jaime.

Essa é mais uma entre as muitas situações completamente inverossímeis que a série vem trazendo ultimamente. Como esses caras conseguiram atravessar aquela água profunda? E por que o Bronn é invencível? Como bem disse nossa leitora, Amanda:

“Bronn, o maior gênio militar, estratégico, melhor lutador do Universo, o onisciente, onipresente, corpo fechado, imbatível, imortal, que oscila entre mercenário interesseiro e benfeitor filantrópico (…). Um mercenário que se mete nas situações mais perigosas sabendo de todos os segredos mais valiosos de uma mesma família há 5 anos – isso que é honra e lealdade. Claro que eles sempre botam o homem FALANDO que está nessa só pelo dinheiro – porque aí tudo se torna crível, não é mesmo? Ele não age conforme essas palavras, mas se elas foram ditas, deve ser verdade.”

Quem precisa de Azor Ahai? Manda esses dois pra lá da muralha que eles dão um jeito nos white walkers em meio episódio.

 

Enfim, na cena seguinte vemos Daenerys dando uma escolha aos sobreviventes Lannisters: ou se ajoelham ou morrem. Os Tarly pai e filho se recusam a se ajoelhar, então Tyrion sugere que ela os envie para a Muralha. Dany parece considerar seriamente essa possibilidade, mas o paspalho do Tarly pai diz que ela não tem autoridade para mandá-lo para lugar nenhum, o que sela o seu destino. No fim, Dany manda Drogon queimá-los vivos, o que choca o Tyrion.

Duas coisas sobre essa cena:

1) Os roteiristas estão provocando mais uma vez a teoria “Daenerys está ficando louca” ao fazê-la queimar os caras ao invés de decapitá-los. Eu continuo acreditando que Dany não está louca, mas quanto mais eles continuarem fazendo com que ela cometa atrocidades, mais difícil vai ser reverter esse quadro mais tarde.

eastwatchÉ das cinzas dessa tragédia que levantamos para saudar o alvorecer de uma nova era, na qual leões e hienas estarão juntos em um grande e glorioso futur…ops, filme errado.  

 

2) Acho boa a humanização que fizeram dos soldados Lannister (tanto na batalha, como nesse episódio) e dos Tarly. Sentimos alguma coisa por eles, e isso é importante, pois guerra não é para ser algo bonito. Mas me incomoda o fato de que não houve humanização nenhuma dos inimigos da Daenerys em Meereen na temporada passada. Ela também queimou pessoas lá, lembram? Por que os personagens westerosi (brancos europeus) foram humanizados e os de Essos (estrangeiros) não? Algo a se pensar.

Porto Real

Jaime chega a Porto Real e tenta convencer a Cersei de que não tem como vencer contra a Daenerys. Sua irmã-amante não está pronta para desistir, no entanto, e conta a ele que está negociando para comprar mercenários para lutar por eles. Jaime sugere um acordo, que Cersei escarnece ao sugerir que eles peçam a Tyrion que interceda pelos Lannister. Nessa hora, Jaime conta que quem matou Joffrey foi a Olenna, e Cersei fica se lamentando não tê-la matado de forma mais dolorosa.

Mesmo assim, Cersei diz que Daenerys nunca os deixaria vivos se eles se rendessem, e lembra o irmão que foi ele quem matou o pai dela pelas costas. Cersei então conclui que eles têm duas escolhas – ou lutar e morrer, ou desistir e morrer – e ela sabe qual é a dela (tive que admirar a Cersei nessa hora).

A menção do regicídio do Aerys teria sido um ótimo momento para Jaime se desenvolver como personagem e demonstrar estar enfrentando algum conflito interno em relação às ações da irmã (essa sim se assemelha muito mais ao rei louco do que Daenerys). Infelizmente, o roteiro perde mais essa oportunidade de retomar o caminho de redenção que o personagem começou a trilhar lá atrás, com Brienne.

Enfim, mais tarde, Tyrion e Davos chegam a Porto Real (leia o núcleo Pedra do Dragão, mais para frente, para entender por que isso acontece). Tyrion comenta que a última vez que esteve ali, matou o próprio pai; enquanto Davos comenta que a última vez que esteve ali, o Tyrion matou o seu filho.

Finalmente Davos lembra que teve um filho, mas infelizmente essa lembrança vem com uma leveza inadequada, na forma de um comentário passageiro. Mesmo a leveza do comentário do Tyrion é inadequada, pois matar o próprio pai foi a coisa mais terrível que aconteceu ao personagem – e aliás, não esqueçamos que ele matou Shae também naquela noite. Infelizmente, os roteiristas mais uma vez optam por não dar profundidade emocional aos seus personagens nos momentos que pedem isso. Fazer piada e ser durão (ou durona) é muito mais interessante para eles, então acabamos com personagens muito mais rasos do que suas contrapartes literárias.

Bem, se você estava ansioso para uma incursão em Porto Real cheia de riscos e perigos, deve ter ficado decepcionado. Porque Tyrion simplesmente entrou na sala dos crânios na Fortaleza Vermelha para conversar com o Jaime. O encontro, aliás, foi arranjado pelo Bronn (porque ele é onisciente, lembra? Sabe tudo, o camarada).

Tyrion começa tentando elogiar a estratégia do Jaime em Rochedo Casterly, mas o irmão não está com paciência nenhuma, e o anão muda o discurso e tenta explicar por que matou o pai. Mesmo assim, Jaime não tem paciência, e Tyrion chega onde tinha que chegar: ele propõe uma trégua, pois Daenerys tem um pedido mais urgente do que a rendição dos Lannister.

Apesar da facilidade do encontro, essa foi uma das poucas cenas que salvaram o episódio para mim. O diálogo em si não foi lá essas coisas, mas atuação dos atores foi o suficiente para encher a cena de significado.

Depois do encontro, Jaime conta a Cersei sobre o seu encontro com o Tyrion, e sobre o exército dos mortos.

What.

 

Ela então revela que sabia do encontro, e que deixou que ele acontecesse, porque concluiu que tem mais chances de vencer Daenerys na conversa do que no campo de batalha (dã). Mais uma vez o Tywin é mencionado – Cersei diz que é isso que o pai faria -, o que me faz pensar que alguma merda vai acontecer, e logo, para a Cersei. No fim, ela diz que eles vão derrotar qualquer coisa que os enfrentar, e revela ao Jaime que está grávida. Quando ele pergunta de quem ela vai falar que é, Cersei diz que dele mesmo, o que também pode dar merda para ela. Jaime fica todo bobo, e qualquer esperança de que ele se volte contra a irmã em breve se dissipa bem na frente dos nossos olhos.

O que dizer dessa cena? Eu ri. Eu ri muito quando Cersei anuncia que está grávida. Isso porque ano passado eu escrevi um texto Livro x Filme sobre a Cersei que conclui que os roteiristas de Game of Thrones limitaram a personagem à sua maternidade (leia o texto aqui). Isso é algo que de uma forma ou de outra os roteiristas fizeram com todas as personagens femininas que são mães, mas com Cersei isso se destacou mais porque a maternidade se tornou a sua única característica redimível.

Acontece que Cersei perdeu todos os seus filhos no fim da temporada passada. Isso significa que teríamos finalmente uma personagem cujas motivações não são definidas por sua maternidade, certo? Errado, porque adivinha só – a personagem está grávida novamente! Será que os roteiristas simplesmente não conseguem escrever uma Cersei que não é mãe?

Enfim, para além dessas questões, é de se pensar o que vai acontecer daqui para frente. Estaria Cersei mentindo ao irmão para mantê-lo ao seu lado? Seria estranho, dado que Jaime não está dando sinais de que abandonará a irmã. Além disso, de acordo com a profecia da Maggy, Cersei só teria três filhos. Ou os roteiristas decidiram fingir que essa profecia nunca aconteceu, ou então Cersei não sobreviverá ao nascimento desse filho. Talvez ele seja o valonqar – o “irmão mais novo” – que a mata? Veremos.

Bom, enquanto isso, Davos passeia pela cidade a procura de quem? Sim, ele mesmo: Gendry. No fim das contas, o ferreiro voltou exatamente para o lugar de onde fugiu e passou anos produzindo armas para os Lannister – a família que matou o seu pai. Ele já está de saco cheio, no entanto, e diz que vai partir com o Davos antes mesmo de ser convidado. Quando Davos pergunta se ele sabe manejar uma espada, Gendry diz que não e pega um martelo de guerra da parede (a arma que o Robert usava em batalha). Alguns momentos mais tarde, Gendry demonstra o que sabe fazer com o martelo, quando dois guardas tentam impedi-los de partir de Porto Real. No fim, Tyrion, Davos e Gendry partem de volta para Pedra do Dragão.

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Essa cena toda é bi-zar-ra. É como se Gendry fosse outro personagem. Ele fala de Robert como se fosse um pai que ele conheceu e cuja morte ele deveria vingar, e está num estado de resolução que chega a ser assustador de tão inabalável. Tudo soa muito surreal. A única parte mais bacaninha é o Davos fazendo papel de contrabandista fanfarrão e tentando enganar os guardas.

Pedra do Dragão

Depois de queimar os Tarly, Dany volta a Pedra do Dragão montada em Drogon e pousa bem na frente do Jon Snow. De cara, parece que o dragão vai atacá-lo, mas Jon se mantém firme e se aproxima lentamente para que Drogon possa lhe dar um bom cheiro. Lentamente o dragão se acalma o suficiente para que Jon posso acariciá-lo, enquanto Daenerys observa a cena perplexa.

Ela desce de Drogon, que sai voando, e puxa papo com o Jon sobre a beleza de seus dragões. Ele lhe pergunta sobre a batalha e ela diz que agora tem menos inimigos do que tinha antes. Jon é reticente em relação a isso, e Daenerys o relembra que guerras são assim mesmo, e pergunta quantas pessoas morreram na batalha contra os Bolton.

Está tudo muito bom, mas de repente a conversa dá uma guinada interessantíssima quando Dany pergunta a Jon o que o Davos quis dizer quando falou que Jon levou uma facada no coração por seu povo. Infelizmente, quando ele está prestes a responder, ninguém menos que sor Jorah aparece. Dany fica feliz de ver o cavaleiro e pergunta se ele está curado antes de abraçá-lo. Jon observa a cena sombriamente.

Vou negando as aparências, disfarçando as evidências, mas pra que viver fingindo, se eu não posso enganar meu coraçãoooooo

 

No geral, eu achei a cena do dragão com o Jon meio sem contexto – parece que foi jogada ali só para nos dar mais uma dica de quem ele realmente é filho (spoiler alert para quem ainda não se atentou: Rhaegar Targaryen). E sobre o restante, só espero que sor Jorah tenha sobrevivido para fazer algo mais relevante do que causar ciuminho no Jon Snow, porque senão vai ter textão revoltado só sobre esse arco, eu juro.

Bom, enquanto isso, Tyrion e Varys conversam sobre Daenerys como se ela fosse a Regina George e não estivesse deixando eles sentarem com ela no refeitório.

Tyrion está assustado com a rainha e reitera que ela não é o pai, ao que Varys conclui que não é, desde que tenha bons conselheiros. Em suma, os dois concluem que é preciso intensificar o mansplaining para controlá-la. O engraçado é que Daenerys se virou muito bem obrigado sem Tyrion ou Varys ao longo de seis temporadas. Vejamos…

Não, aqui eles não estavam.
Humm, aqui também não.  
Ops, será…não, é um Imaculado.
Aqui também não, porque estavam ignorando os conselhos da Missandei e do Verme Cinzento e fazendo besteira em Meereen.

 

Além disso, não é como se os conselhos dos dois fosse assim tão preciosos. Varys trouxe Dorne e Jardim de Cima para a causa, é verdade, mas aí o Tyrion foi lá e perdeu os dois com um plano duvidoso. O problema não é os personagens errarem, mas sim o fato de a narrativa não reconhecer esses erros e fazer com que a gente fique do lado do Tyrion e o veja como a voz da razão (em oposição a Daenerys, a doidona que queima pessoas). Aliás, falando em planos duvidosos, vem dele também outra pérola de estratégia que é acatada por Daenerys…

Ok, chegou a hora de falar daquele plano estúpido, respira fundo.

 

Certo, o Jon recebe um corvo de Winterfell contando que Bran e Arya estão vivos e que Bran viu o exército do rei da noite se aproximando de Atalaialeste. Ele fala a Daenerys que quer ir para casa e precisa da ajuda dela, mas Dany não quer abandonar o lugar e entregá-lo de bandeja para a Cersei. Então Tyrion, o mestre da estratégia, sugere que eles mostrem o perigo a Cersei, para que eles suspendam as inimizades e se unam contra o inimigo em comum. A ideia é levar um zumbi do exército do rei da noite para Porto Real, para provar que eles existem.

Está quase no fim, você consegue.

 

Varys diz que Cersei nunca os encontraria ou deixaria que eles saíssem de Porto Real com vida, e Tyrion sugere falar com Jaime. Davos concorda em contrabandeá-lo para Porto Real para falar com o irmão, e se Jorah se oferece para ir buscar o morto para lá da muralha. Jon voluntaria o povo livre para a empreitada e diz que vai também, porque eles não seguiriam o Jorah. Dany fica abalada com a partida de Jon Snow e tenta impedi-lo, mas ele diz que não precisa de sua autorização para partir. Ele pede que ela confie nele, assim como ele confiou nela. Ela concorda (não sem antes ter um olhar de confirmação do Tyrion, o que, eu vou ser sincera, é meio enfurecedor).

Então o plano é: ir para o norte, escolher um zumbi do exército dos mortos e levá-lo para Porto Real para mostrar para Cersei e rezar para que ela fale “poxa, isso aí é perigoso mesmo, vamos nos dar as mãos e lutar contra esse tal exército”.

Isso é sério?

Descrença a parte (porque sinceramente, é capaz que o plano ainda dê certo, por mais estúpido que seja), esse plano é uma adaptação de algo que acontece lá nos primeiros livros, se não me engano, quando o Jeor Mormont manda alguém da Patrulha para Porto Real com uma mão viva de um zumbi para convencer o rei a enviar homens para a Muralha. Basta dizer que nos livros isso não dá certo. (Não me lembro se isso acontece na série – se alguém lembrar, deixa lá nos comentários!).

Outra coisa bizarra nessa cena é a reação do Jon com a notícia de que a Arya e o Bran estão vivos e em casa. Eu entenderia se ele ficasse chocado, mas na verdade ele parece puto da vida. E não pensa nisso mais de dois segundos antes de falar sobre o exército dos mortos. Eu até me sinto idiota por ter ficado na expectativa pelo reencontro entre Jon e Arya, porque na real parece que ele não está nem aí. Parece que é mais um daqueles momentos em que os roteiristas escolhem fazer do personagem fodão ao invés de trabalhar o seu desenvolvimento emocional, o que já está ficando bem cansativo.

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Enfim, mais tarde, Davos apresenta Jon a Gendry, que logo de cara se apresenta como filho do Robert e já quer ser melhor amigo do Jon por isso. De novo, Gendry parece estar numa hype monstruosa, louco para ir para o norte caçar zumbis como se fosse a balada mais foda do século. Juro, o que aconteceu com o Gendry ao longo de todos esses anos? Eu queria muito algo que explicasse esse comportamento, mas acho que não teremos explicação nenhuma.

Bom, no fim, ele vai junto com Jon, Jorah e Davos, que se despedem de Dany e seguem para o norte. Dany se despede de Jon com pesar.

Eu tenho medo de te dar meu coração, e confessar que eu estou em tuas mãos, mas não posso imaginar o que vai ser de mim, se eu te perder um diaaaa

Winterfell

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Em Winterfell, Bran warga alguns corvos e vê o exército dos mortos para lá da Muralha. É interessante, porque no momento em que o Rei na Noite olha para os corvos, o Bran sai do transe e, levemente assustado, fala ao meistre Wolkan que é preciso enviar corvos para avisar o restante de Westeros. Isso pode significar que o Rei da Noite tem algum poder sobre o Bran, mesmo a milhares de quilômetros de distância.

No grande salão, os lordes do Vale e do Norte estão impacientes e se arrependem de terem eleito Jon o Rei do Norte. Eles dizem isso para Sansa, que os ouve, mas responde graciosamente que Jon é o rei deles e está fazendo o que acha melhor. Arya observa a cena.

Andando pelos corredores, Sansa se queixa para Arya que avisou Jon que isso aconteceria, mas Arya parece que se inscreveu no fã clube do Jon Snow e praticamente diz que Sansa tem que se virar, porque é isso que Jon pediu dela. Elas entram no quarto da Sansa, e Arya comenta o fato de que aquele era o quarto dos pais delas. Sansa percebe que a irmã está incomodada e a confronta, ao que Arya diz que Sansa sempre gostou de coisas finas, porque elas a faziam se sentir melhor do que todo mundo. Sansa deixa passar e pergunta se a irmã está brava com ela. Arya responde que Sansa deixou que os lordes falassem mal do Jon (é sério isso, jezuis?). Muito pacientemente, Sansa explica que não pode ofendê-los, porque senão perde os exércitos, e Arya sugere decapitá-los. Ainda assim Sansa não perde a paciência, e explica que eles conquistaram Winterfell de volta com a ajuda desses lordes e que eles precisam trabalhar em equipe. Arya então sugere que Sansa não quer ofendê-los porque precisa ter boas relações caso o Jon não retorne, e que isso seria algo que Sansa deseja. Sansa fica incomodada e diz que tem trabalho a fazer, ao que Arya sai do quarto chamando-a de “my lady” e esboçando um sorrisinho psicopata no rosto.

Olha, eu não sei nem por onde começar. Por algum motivo os roteiristas resolveram ignorar que se passaram sete anos desde que essas duas irmãs se odiavam, e que as duas cresceram e passaram por uma jornada muito similar de dor e amadurecimento – coisa que deveria, inclusive, aproximá-las. Além disso, por qual motivo Arya está agindo como uma cretina sem cérebro? Eu pensei que a personagem deveria ser esperta? Eu mesma nunca fui super fã da Sansa, mas entre o plano do Tyrion e do Jon, e o sorrisinho de psicopata da Arya-Vamos-Decapitar-Nossos-Aliados, eu acho que ela deve ser a única personagem com algum cérebro funcionando na série no momento. Aliás, eu não comentei nada mais profundamente na semana passada, mas fiquei com a sensação de que Arya já chegou em Winterfell antagonizando não só a Sansa, mas também a Brienne. A confirmação desse sentimento em relação a Sansa nesse episódio só me traz preocupações.  

A petulância do cavalo.

 

Enfim, na última sequêcia em Winterfell, Arya espiona Mindinho lidando com várias pessoas em Winterfell, desde uma serva, até os lordes nortenhos. Mais tarde, ela observa enquanto o meistre Wolkan entrega um papel a Mindinho, e ele agradece em nome da Sansa. Arya entra no quarto dele escondida e encontra o papel, que é nada menos que uma carta que Sansa foi forçada a escrever quando era refém dos Lannister, falando que Ned era um traidor e pedindo que Robb dobrasse o joelho a Joffrey. Quando Arya sai do quarto, vemos que Arya fez exatamente o que Mindinho queria, porque ele observa de um nicho escuro na parede como se fosse a própria Malévola.

Sai demônio.

 

Fica a esperança agora. Será que as irmãs armaram para cima do Mindinho, ou que a Arya vai cair nessa e tentar machucar a irmã? Será que no fim elas vão se unir contra ele? Será que o Bran vai fazer alguma coisa que preste? Eu não sei mais nada.

Cidadela

Na Cidadela, Sam escuta quando os arquimeistres discutem a carta de Winterfell avisando sobre o exército dos mortos e a descartam, com descrença. Ele tenta convencê-los a preparar Westeros para a Longa Noite, dizendo que conheceu Bran, mas os arquimeistres acham que aquilo é apenas um plano da Daenerys para conquistar os sete reinos mais facilmente. No fim, Sam é dispensado.

Mais tarde, Sam está estudando quando Gilly começa a comentar sobre curiosidades em um diário de um septão que está lendo. Ela pergunta o que significa “anulação”, e conta que o tal septão registrou que fez a anulação de casamento de um tal de Reegar, e o casou com outra mulher logo depois, em uma cerimônia secreta em Dorne. Ao invés de prestar atenção nessa informação bombástica, Sam começa a reclamar da morosidade e ceticismo dos meistres, pega as tralha, e vai embora da Cidadela com a Gilly e o bebê.

eastwatchEle tá brabo ele.

 

Já na carruagem, quando Gilly lhe pergunta se ele tem certeza que quer ir embora, Sam diz que está “cansado de ler sobre os feitos de outros homens”.

Então Sam, que era para ser o cara que ia descobrir algo muito importante sobre os caminhantes brancos durante o seu treinamento para se tornar meistre, decide que ficar estudando é uma bobagem e parte de lá para…sei lá, provavelmente usar aquela espada bonita que ele roubou do pai. Oi, masculinidade tóxica, você aqui de novo em Game of Thrones? Que surpresa.

Ao que tudo indica, o único motivo pelo qual o Sam foi levado até a Cidadela foi para curar o sor Jorah de escamagris e para descobrir que o Jon é filho legítimo do Rhaegar Targaryen. Ok, essa é uma informação importantíssima, mas o jeito que foi descoberta é de cair o c*…Como ninguém nunca viu esse pergaminho? Precisou o Sam baixar lá com uma Gilly que acabou de aprender a ler para que essa informação ressurgisse magicamente. Está tudo muito fácil, muito conveniente, e isso me irrita.

Atalaialeste

E a última das irritações do episódio acontece quando Jon e equipe simplesmente chegam em Atalaialeste sem nem mesmo se preocupar em passar por Winterfell para…oh, não sei, buscar os conselhos dos vassalos? Pelo menos avisá-los que o seu rei resolveu partir em uma missão suicida para além da muralha? Dar um oi para dois irmãos muito queridos que todo mundo pensou que estavam mortos?

Mas isso não seria Foda™ , então o que acontece é que eles passam mesmo reto por Winterfell e vão dizer ao Tormund que ele está convocado a ir se suicidar para lá da Muralha. Felizmente, Tormund identifica que o plano é estúpido, mas concorda em ir mesmo assim, porque ele se inscreveu no fã clube do Jon Snow junto com a Arya. Curiosamente, ele diz que Jon não é o único a querer ir para lá da Muralha e apresenta a galera a ninguém menos que o grupo do Beric Dondarrion, que está preso numa cela junto com o Thoros e o Cão.

Por-que-eles-estão-presos?

Rola aquele climão, porque o Gendry odeia o Beric, o Tormund odeia o Jorah e o Jon odeia todo mundo, mas no fim todos concordam que estão todos juntos contra o mesmo inimigo. O episódio encerra com a galere atravessando a Muralha e andando rumo a uma tempestade de neve.

E assim eu encerro, com a expectativa lá na lua para o próximo episódio, porque é bom que seja muito foda mesmo para compensar os disparates desse episódio.


Leia também Game of Thrones T07E04 – Reencontros, Aproximações e muito Fogo e Sangue.