Lollapalooza 2017 – Apenas 8% dos Artistas que vão se Apresentar no Festival desse Ano são Mulheres

É triste, mas é verdade: podemos contar nos dedos as mulheres que se apresentarão no Lollapalooza 2017.

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Falta pouco menos de três meses para o tão esperado Lollapalooza 2017. Idealizado em 1991 pelo músico Perry Farrel (Jane’s Addiction) como uma turnê de despedida de sua banda, o festival é conhecido popularmente por trazer shows de banda de indie rock, embora em sua essência ele tenha sido concebido para ser um evento eclético, que dê espaço para todo tipo de música além do mainstream.

Um pouco de História

O plano de Perry era viajar pelos Estados Unidos e Canadá se apresentando juntamente com outros grupos e até atrações circenses. A primeira edição foi em 1992, e a diversidade de sua lineup (lista de atrações) foi logo notada. Naquele ano, subiram ao palco de Joan Baez com seu folk até grandes nomes do rap como Ice T. Era o tempo que o chamado “rock alternativo” começava a florescer para o grande público nos Estados Unidos.

lollapaloozaFoto do primeiro Lollapalooza realizado em 1992. (Fonte)

 

A história do festival também foi marcada pela presença de conflitos. Não houve shows entre 1998 e 2003 por conta de uma polêmica ocorrida em 1996. A justificativa desse entrave foi o descontentamento de Perry Farrel com a presença do grupo Metallica no line-up daquele ano. Segundo o livro Into the black: The inside story of Metallica” a presença da banda significava para Perry “o fim da era alternativa do evento”, uma vez que o grupo era famosos e composto por “cinco caras brancos que tocam guitarras“.

No ano de 2003, no entanto, Perry convocou sua antiga banda para retomar o festival, e em 2011 o emblemático Lollapalooza passou a ser um evento internacional. O Chile foi o primeiro país a recebê-lo fora dos EUA, seguido pelo Brasil e a Argentina. Em 2015 o Lollapalooza também chegou no continente europeu, na cidade de Berlim.

O ser “alternativo”

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Se a ideia inicial era reunir bandas de vários gêneros diferentes para um único grande evento com uma programação altamente diversificada, parece ao menos emblemático que em 2017 a banda Metallica esteja de volta aos palcos do Lollapalooza.

Além de seu objetivo de ecleticidade, o festival é conhecido por trazer aos seus palcos bandas desconhecidas pelo público, sem deixar de lado as grandes atrações. Esse seu caráter alternativo e “mente aberta” cristalizado ao longo dos anos fez também com que seu público fosse conhecido por ser composto por muitas mulheres e LGBTs. Grupos que se sentem mais seguros em um ambiente menos machista, misógino e LGBTfóbico que as platéias dos festivais de rock tradicionais.

lollapaloozaA cada ano novo saem matérias comentando o look das garotas do Lolla e outros posts também aclamando as “musas” do evento. Fica o questionamento: será sempre esse o lugar reservado às mulheres? Ser enfeite, estar sempre bonita para ser olhada, servir de inspiração de moda, claro, dar prestígio ao evento… Mas somente subir aos palcos em raras vezes para mostrar talento e competência que vão além da valorização de sua aparência. (Fonte)

 

Ainda assim, é importante questionar: seria o “festival indie” tão inclusivo como seu suposto público deseja? (“suposto”, porque dados sobre quem são os frequentadores do evento não são divulgados). Uma coisa é certa: este ano o evento foi mais elitizado por conta de seu preço. Atualmente, a meia entrada do segundo lote está R$460, cerca de 55% do salário mínimo atual... Mas, o acesso à cultura é assunto para outro texto.

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Esse texto tratará sobre a representatividade feminina em um festival que ano passado contou com 54 atrações e 5 palcos distintos, com 60 horas de música e cerca de 170 mil pessoas. Contando que um pouco mais da metade da população brasileira é composta por mulheres, a suposição óbvia seria a de que teremos um número equilibrado de mulheres não só no público, como entre os artistas também. Certo?

Passando os números a limpo

Depois do lineup divulgado, fiz um levantamento do número de homens e mulheres que irão se apresentar nos palcos do Lollapalooza em 2017. E mesmo que a gente saiba que a coisa é feia porque, bem, vivemos em um mundo machista que invisibiliza profissionais mulheres mesmo que elas demonstrem tanta competência como seus companheiros de profissão homens, na música há a falsa impressão de que a disputa é equilibrada. Pode-se argumentar, por exemplo, que a Taylor Swift é a primeira da lista dos “40 músicos mais bem pagos do mundo” da renomada revista FORBES. Porém, se olharmos mais de perto, descobrimos ela é apenas uma entre duas mulheres que estão entre os 10 primeiros classificados.

Bom, e o que eu descobri colocando esses números no papel? Descobri que apenas 8% dos músicos, DJs e cantores que se apresentarão nos palcos do Lollapalooza 2017 são mulheres. Descobri que se formos contar não por pessoa, mas sim por atração – ou seja, banda, grupo ou cantor solo – as atrações que incluem mulheres são apenas 14% de todo o evento. Descobri também que das 21 bandas ou grupos que vão se apresentar, apenas duas são compostos por mulheres, e apenas uma, eu disse uma,  tem a composição mista, com uma musicista em sua formação.

A coisa sobre cultura jovem é…que eu não a entendo.

 

Nestas horas sempre tem quem diga: “Ah! Mas não tem mulheres no festival porque não há mulheres na música”. Bem, eu queria não precisar dizer que o apagamento e a exclusão histórica das mulheres nas várias áreas de atividade humana não é exclusivo da música. É praxe das ciências, da história oficial, das artes plásticas.

Felizmente temos uma ferramenta maravilhosa que se chama internet e em uma busca rápida qualquer um pode descobrir que há, sim, muitas mulheres musicistas. É só olhar em volta. Embora o espaço das mulheres na música seja bem menor que o espaço ocupado por homens, isso não quer dizer que elas não estão lá.  Mas isso também é assunto para outro texto.

Em número reais, pela minha contagem, temos 109 músicos que subirão ao palco nos dias 25 e 26 de março deste ano. Apenas 9 são mulheres. Para além da categoria mulher, é importante fazer o recorte: das nove que se apresentarão, nenhuma é não-branca.

Tá brincando comigo?

 

Dos 100 homens, apenas 7 foram contados como não-brancos (se eu contei errado e não incluí algum integrante de minorias étnicas entre os integrantes dos 19 conjuntos e 16 cantores solos ou Djs que se apresentarão, por favor, me avisem nos comentários).

Embora não fosse o meu foco levantar dados sobre a sexualidade dos artistas, não é preciso muito para adivinhar que a representação LGBT também é baixa.

Música de “mulherzinha”

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Infelizmente, quando falamos sobre esse tipo de problema, há sempre aquelas indagações clássicas: “Se vocês não se sentem representadas é só não ir, ninguém está te obrigando”, ou “Criem um festival só de mulheres então”.

Eu não sei vocês, mas o mundo dos sonhos não é um mundo em que se precise criar festivais só de mulheres para ter representação feminina, e muito menos um em que haja necessidade de boicote de festivais que não se interessam em um equilíbrio de gênero mais condizente com a realidade.

Separar e sugerir que mulheres não frequentem ou consumam espaços onde homens são maioria é só mais uma forma de segregação. Precisamos de espaço tanto como público, quanto como profissionais, pois somos consumidoras e criadoras, sim, e nossa voz deve ser ouvida.

Um exemplo dessa voz foi o que fez  o público da Marvel ao conseguir a mudança de capa da HQ “Invencible Ironman” que hipersexualizava uma garota de apenas 15 anos. Embora o próprio desenhista da HQ não tenha admitido o erro chamando o ocorrido de “falsa polêmica”, isso não muda o fato que o público foi ouvido.

O grande desafio é superar a ideia machista de que músicas (e outros conteúdos) produzidas por mulheres tem uma qualidade inferior, “de mulherzinha”, e por isso não podem ser apreciadas por homens (a não ser aqueles que beijam outros rapazes – ou seja, que não tem a suposta “masculinidade” por serem homossexuais).

“Apenas porque meus órgãos reprodutivos ficam dentro do meu corpo, em vez de fora, isso não significa que eu não posso lidar com o que quer que seja que você pode”.

 

Homens, no geral, (atenção: “no geral” significa que se você não age assim, não estamos falando de você), não costumam consumir conteúdo, arte, música feito por mulheres. Não se espelham em mulheres, não admiram mulheres além do seu papel ornamental, sexual, doméstico e reprodutivo.

E isso acontece em grande parte por conta dos estereótipos de gênero machistas que nos são alimentados desde o berço, que repetidamente objetificam e inferiorizam o gênero feminino e tudo que se relaciona com a chamada feminilidade.  

Como consequência, em nossa sociedade machista e patriarcal, qualquer atividade feita por mulheres em espaços que fogem daqueles ditos “femininos” será vista como feita de maneira inferior (e, por isso, indigna de visibilidade, ou mesmo de salários e cachês equivalentes).

Assim, o fato de homens serem desencorajados a consumir conteúdo produzido por mulheres desde a infância acaba resultando nessa falta de representatividade feminina que vemos hoje em eventos como o Lollapalooza. Parte-se da ideia de que comumente uma mulher consome o conteúdo produzido por homens e para homens, mas não ao contrário.

No mundo de hoje, onde o masculino sobrepõe o feminino, se houvesse equidade de gênero no Lollapalooza, em uma situação hipotética, qual a chance do festival ser considerado “de mulherzinha e de viado” – algo pejorativo em nossa sociedade – e isso se tornar um risco econômico real para os idealizadores do evento?

Para essa perspectiva mudar, a cultura tem que mudar.

Lady Gaga ao ser questionada por um repórter se o uso da sexualidade em suas músicas não prejudicasse seu trabalho.

 

Representatividade nos Bastidores

Se relembrarmos a gênese do Lollapalooza com seus ideais de diversidade de estilos e públicos, buscando dar um espaço para artistas não reconhecidos e que são deixados de lado pela indústria musical e o grande público por diversos motivos, parece que a polêmica envolvendo a banda Metallica é mais recente do que nunca.

Afinal, Perry argumentou, na época, que o evento tinha sido corrompido pela participação do grupo – um conjunto de fama e renome composto por “cinco caras brancos que tocam guitarras”. Ao invés de alternativo, ele era a regra. Só que no fim a regra se repete até hoje. Serão ao todo 93 homens brancos e 19 bandas compostas exclusivamente por homens tocando no Lollapalooza 2017. Muito diverso e alternativo, não é mesmo?

Inúmeras bandas, grupos e artistas poderiam ter sido chamadas para compor a lineup do Lolla 2017. Então por que as mulheres são apenas 8%? E mais importante: por que não estamos falando sobre isso? Discutir e questionar a falta de equidade nas produções é uma forma de melhorar os conteúdos e experiências que consumimos também.

“Como eu digo para as minhas filhas, mulheres e garotas podem fazer o que quer que seja que elas queiram. Não há limite para o que nós mulheres podemos realizar.”

 

Não é exclusividade do Lollapalooza essa sub-representatividade feminina. Isso só reflete a tendência geral de nossa sociedade que desvaloriza e marginaliza o trabalho feito por mulheres em todos os ramos. Falamos aqui sobre a importância de mulheres estarem entre as atrações dos festivais, mas além disso sua participação na idealização desses eventos para que essas questões sejam levadas em consideração é igualmente importante.

Infelizmente, não há dados sobre a participação feminina na organização dos grandes festivais. Contudo, no caso do cinema, pesquisas sugerem que quanto mais mulheres por trás das câmeras, mais e melhores personagens femininas aparecem na sétima arte. Não é uma coincidência. Segundo Geena Davis, fundadora do instituto Gênero na Mídia:

“Atualmente, as mulheres diretoras são cerca de 7%, as roteiristas em torno de 13% e as produtoras 20%. Todos estes são números muito baixos. E, graças à nossa pesquisa, sabemos que se há uma diretora, produtora ou roteirista a porcentagem de personagens femininos na tela aumenta. Assim, outra forma de atacarmos o problema é aumentar a quantidade de mulheres por trás das câmeras”.

Seguimos sonhando com aquele mundo mais igualitário, em que questões como o número de mulheres e de homens a se apresentar em um festival não são necessárias. Porém, hoje essa questão não é apenas importante, é fundamental. A falta de representatividade reforça o entendimento da mulher como inferior, menos importante e sujeita à vontade masculina. É o reflexo do caminho que leva à exclusão, ao abuso, à exploração e à violência contra a mulher.

Parece bobagem, mas não é. A falta de representatividade se inclui nas formas sutis de violência contra a mulher e contribui diretamente para legitimar, cristalizar e propagar o machismo das suas formas mais brandas como uma piada até a sua instância máxima que é o feminicídio.

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Nosso Papel

Como em outras áreas do entretenimento, para os organizadores é mais seguro apostar em um conteúdo voltado para homens, pois se aprende que o homem somente assistiria um show que não ameace sua masculinidade (ou seja, não seja “de mulherzinha”). 

Isso é sexista e absurdo

 

Enquanto isso, mulheres foram ensinadas a aceitar e valorizar desde cedo conteúdos voltados ao público masculino e aceitar passivamente seus papéis secundários e estereotipados. Nessas produções, na esmagadora maioria das vezes, as mulheres são sub-representadas, colocadas como objeto cenográfico e de uso dos personagens, hipersexualizadas e mesmo postas como mero prêmio do herói. Essa perspectiva é mais escancarada no cinema, mas se estende também para outros ramos da cultura (confira dados da desigualdade de gênero de Hollywood aqui).

No vídeo uma de nossas participantes dos 8%, Nikki Monninger, é entrevistada no festival Coachella 2016 e responde a pergunta “Qual música você escuta para se sentir invencível?”. A baixista conta que escuta “War” da Katy Perry e comenta que ela e suas duas filhas gêmeas de três anos só conseguem ouvir esse som no carro: “Elas gostam de músicas feitas por garotas” – explica.

 

Só quem não tem representatividade entende sua importância facilmente (se você não entende, veja aqui por que representatividade importa). Não há problema nenhum em ouvir músicos homens e consumir seu conteúdo, mas deve haver também a oportunidade para mulheres escreverem e produzirem, e cantarem, e pintarem, e dirigirem filmes, e terem o reconhecimento e visibilidade que merecem por seus trabalhos. Esses espaços nos sãos historicamente negados, e aquelas que ousam participar deles tem muitas vezes seus nomes negligenciados e apagados da história.

A nós mulheres cabe continuar a luta para ocupar os espaços que nos são negados, e prestigiar as artistas que estão na luta. Não adianta reclamar que mulheres estão sendo sub-representadas se você também não escuta, incentiva, contrata e compra o trabalho de outras mulheres.

Já os homens devem fazer o mesmo: apoiar a produção de mulheres que eles gostam, compartilhar com os amigos usando seu lugar de privilégio para mostrar que, por exemplo, uma banda de rock composta só por garotas, ou mesmo somente com vocal feminino não é coisa de “mulherzinha”. Ah, e seria ótimo se de quebra a gente parasse de falar “mulherzinha” como se fosse algo pejorativo, né? Já estamos em 2017, até quando!?

Quem são os 8%?

Chegamos, enfim ao grande momento! Afinal, quem são as 9 mulheres que levarão a voz feminina e seu talento para o Lollapalooza 2017? Conheça um pouco sobre a história dessas mulheres, um pouco de sua carreira, conquistas no cenário musical e suas principais influências.

Tove Lo

Seu nome de nascença é Ebba Tove Elsa Nilsson, e ela é natural da Suécia. Ficou mundialmente conhecida com o single ‘Habits’, posteriormente remixado pela dupla de produtores de hip-hop Hippie Sabotage. A cantora e compositora também já escreveu músicas para Icona Pop, Girl Alound, Cher Lloyd e The Saturdays. Foi definida pela revista Rolling Stones: “A exportação sueca mais trevosa do pop” (“Sweden’s darkest pop export“).

Tove Lo foi um apelido carinhoso que sua madrinha lhe deu aos três anos de idade. Atualmente com 29 anos, ela já declarou que usa a música como uma terapia para dar vazão aos assuntos que ela evita. Suas letras giram em torno de erros, amor, sexo e seus complexos pessoais.

Foi nomeada por um crítico do jornal britânico The Guardian como “a menina mais triste da Suécia”. Certa vez ela brincou com o comentário confessando que na verdade era “inútil” para escrever letras com tons mais alegres.

Suas influências vão desde Courtney Love (a qual cresceu idolatrando) e Kurt Cobain até os suecos Robyn e Lykke Li. Também gosta do tom lírico da contora francesa Charlotte Gainsbourg, e já citou outros nomes como Amy Winehouse e Jeff Buckley.

Tegan and Sara

Uma dupla de irmãs abertamente lésbicas que, para, completar são gêmeas idênticas. As irmãs são canadenses e seu estilo musical flutua entre o indie rock/indie pop. Ambas compõem suas melodias e tocam guitarra, teclado e outros instrumentos. Até o momento atual a dupla lançou sete discos, sendo o mais recente “Love You To Death”, de 2016.

Tegan e Sara são conhecidas defensoras dos direitos LGBT e também da educação musical e da pesquisa pela cura do câncer. Apesar de serem canadenses, por terem vivido nos EUA por muito tempo então envolvidas nos debate políticos do país nas questões que acham relevantes.

Em 2012, as gêmeas foram capa da revista Under the Radar segurando um cartaz que dizia: “Os direitos da minoria nunca devem estar sujeitos ao capricho da maioria”. Já no Canadá, as irmãs apoiaram ativamente estudantes do Quebec em seu protesto contra o governo provincial. Em reconhecimento a sua luta, em 2014, Tegan e Sara ganharam no GLAAD Media Awards o prêmio de “Outstanding Music Artist”, já conquistado por Lady Gaga e Elton John. 

Suas influências vão de Green Day , Nirvana e Hole,The Smashing Pumpkins, Violent Femmes, Rihanna, Taylor Swift, Madonna, Kate Bush, David Bowie, Lily Allen, até Cyndi Lauper, Sinéad O’Connor e Bruce Springsteen. Mas o desejo das irmãs sempre foi de produzir sua própria música de maneira original.

É uma cantora e compositora dinamarquesa chamada Karen Marie Aagaard Ørsted Andersen. Seu nome artístico “Mø” significa “donzela virgem” em dinamarquês.  A artista é conhecida por ser uma das estrelas pop com um dos crescimentos mais rápidos do planeta. Sua música Lean On, que ela também compôs, foi uma das músicas mais ouvidas no Spotify na história da plataforma.

Criada em Funen, uma das maiores ilhas da Dinamarca, escreveu sua primeira música aos sete anos. Se afeiçoou pela música pop na infância, e na adolescência conheceu o punk e os movimentos sociais antifascistas, que a influenciaram a formar uma “banda de punk barulhenta, com pegadas de electro-pop e trash” chamada Mor, quando tinha 18 anos.

Em 2009 começou se dedicar em composições autorais e experimentar vários estilos, o que a levou a ser hoje MØ. Em 2014 lançou seu primeiro álbum chamado “No Mythologies To Follow” que emplacou vários singes como Pilgrim, Waste of Time, Don’t Wanna Dance e XXX 88 feat. Diplo.

Quando criança era fã das Spice Girl. Já na adolescência conheceu o punk e os movimentos antifascismo, ouvindo Back Flag, Nirvana, Smashing Pumpkis e especialmente Sonic Youth.

Melanie Martinez

Conhecida por sua participação no The Voice USA, Melanie Martinez é um dos grandes nomes do evento. A americana de apenas 21 anos tem um estilo autêntico, inconfundível e difícil de passar despercebido. Seu single mais famoso “Cry Baby” chegou na sexta posição do top 200 da Billborad em 2015.

Ela é conhecida por seu cabelo de duas cores, seu estilo “bonequinha” e sua direção de arte cômica com aspectos macabros em seus videoclipes. Seu disco “Cry Baby” foi escrito como uma “válvula criativa para expressar como a artista se sentia enquanto estava crescendo”. No disco ela levanta várias questões importantes de sua geração, voltando-se para a sua infância.

Alguns exemplos dos assuntos tratados no álbum são: “Mrs. Potato Head”, que fala dos padrões de beleza impostos pela sociedade; “Alphabet boy”, que trata do desconforto de quando sua inteligência foi subestimada por um garoto; e “Dollhouse”, que aborda a temática dos problemas familiares.

Completamente atual, Melanie, com seu pop mesclado com indie e um certo estilo gótico, encontra seu lugar nas paradas de sucesso da atualidade falando de temas extremamente próximos à realidade dos jovens de hoje e com muita singularidade.

Suas influências são diversas: Beatles, Neutral Milk Hotel, Feist, Kimbra, Zooey Deschanel, Regina Spektor, e Cocorosie. A cantora também já citou álbuns específicos como inspiração para seu trabalho musical como “The Idler Roda ..”. por Fiona Apple e “Yours Truly” por Ariana Grande.

Além disso, Melanie também teve uma forte influência do hip-hop, trazido por seu pai. A cantora também é uma grande fã do trabalho do cineasta Tim Burton, que tem uma influência muito grande na estética de seu trabalho, chegando a declarar que fazer um filme com ele seria “um sonho”.

Nervo

As irmãs australianas Miriam Nervo e Olivia Nervo são produtoras musicais, compositoras, cantoras, compositoras, modelos e DJs. Segundo o site do evento, a dupla tem composições e hits que caíram no gosto de artistas como Kylie Minogue, Ke$ha, The Pussycat Dolls, Afrojack, Steve Aoki e Miley Cyrus.

Com a música “When Love Takes Over”, escrita para David Guetta e Kelly Rowland, as irmãs australianas chegaram a conquistar um Grammy. Além disso, a dupla marcou presença em vários festivais de grande porte pelo mundo como Tomorrowland, EDC, Creamfields.

Atualmente moram em Las Vegas e tocam nas superbaladas Hakkasan e Omnia. Também já alcançaram a 16ª posição no Top 100 da DJ Mag. Possuem vários hits e um álbum de que foi aclamado pela crítica em 2015, “Collateral”.  

Em um podcast para o portal Inthemix, a dupla falou de suas influências. Entre elas estavam os álbuns: Forever Faithless: The Greatest Hits, de Faithless; The Fat of the Land, do Prodigy; Blood Sugar Sex Magic, do Red Hot Chili Peppers; You’ve Come a Long Way, Baby, de Fatboy Slim e I Created Disco, do Calvin Harris.

Nikki Monninger (Silversun Pickups)

Silversun Pickups é uma banda de indie-rock de Los Angeles formada em 2002 por um grupo de amigos. A banda ficou conhecida por ter aparecido na trilha sonora de séries como The Vampire Diaries, One Tree Hill e The O.C..  Nikki Monninger é sua baixista. A musicista é a única integrante feminina da banda, que por sua vez é o único conjunto misto do festival em 2017.

Durante a licença maternidade que tirou para cuidar de suas filhas gêmeas recém-nascidas, Nikki declarou: “este é um momento tão emocionante e feliz para mim – novo álbum, os primeiros bebês. Ficarei quieta por um tempinho, mas não poderão me manter longe da estrada por muito tempo”. Durante esse período ela foi substituída por outra musicista – Sarah Negahdari, do Happy Hollows – para o resto da turnê que estava em curso na época. Assim, Nikki é um grande exemplo de como a maternidade não significa o fim de uma carreira musical.

As influências da banda são Kiss, My Bloody Valentine, The Pixies, the Velvet Underground, Elliott Smith, Sonic Youth, Sweet, Modest Mouse, Sunny Day Real Estate, e Secret Machines. Mas os integrantes frisam que também se inspiram em bandas menos conhecidas. Seu som já foi inúmeras vezes comparado com o da banda The Smashing Pumpkins.

Céu

Nossa representante nacional do time de mulheres do festival, Maria do Céu Whitaker Poças, conhecida como “CéU”, é uma cantora e compositora de MPB natural de São Paulo. Sua carreira iniciou em 2002, e seu primeiro álbum foi lançado em 2009, chamado de “Vagarosa”. Seu trabalho foi muito bem recebido pela crítica nacional e internacional, vendendo mais de 25 mil cópias na Europa e 100 mil nos EUA.

Em 2006 foi indicada ao Grammy Latino na categoria Artista Revelação, e também para o Prêmio Tim Maia na categoria melhor cantora. No mesmo ano a cantora apareceu na lista dos 100 brasileiros mais influentes de 2009 e apresentou-se na abertura dos XV Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro.

Em entrevista para a Folha Online, Ceú falou sobre a classificação do seu trabalho como MPB: ‘O rótulo da MPB ficou limitado. Ele é bem abrangente, afinal é música popular brasileira. E me considero isso. Quando vou fazer um som, me alimento do que gosto e, como muitos outros da minha geração, me alimento não só de coisas específicas. Gostamos de ouvir música da Jamaica, agora estou escutando música etíope. Não penso que [tipo de] música estou fazendo. Simplesmente faço um som”. Suas influências são diversificadas indo da própria MPB para o hip hop, o afrobeat, o jazz e o R&B.


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