7 Cantoras Brasileiras dos Anos 70 que Você Precisa Conhecer

Hippies, sambistas, pesquisadoras, psicodélicas e experimentais. Elas fizeram a cabeça de muita gente na década de 70 e com certeza vão fazer a sua também.

cantoras

O Brasil conta com mulheres talentosas em todas as áreas, e com a música não é diferente. No entanto, com o passar dos anos, alguns nomes e seus feitos acabam esquecidos ou relegados a um público bem específico e restrito. Com essa listinha básica, procuramos colocar alguma luz nesses nomes obscuros e desconhecidos do grande público. Hippies, sambistas, pesquisadoras de cultura indígena, psicodélicas e experimentais. Elas fizeram a cabeça de muita gente na década de 70 e com certeza vão fazer a sua também!

Sônia Santos

Nascida no Rio de Janeiro, mora há décadas nos Estados Unidos e canta até hoje. Lançou dois LPs na década de 70, entre eles “Crioula”, que pode ser conferido abaixo. O estilo é um samba cheio de elegância e com toques de MPB e até bolero.

 

Tetê Espíndola

Quando se fala em Tetê Espíndola, a maioria se lembra da canção “Escrito nas Estrelas” – claro, lembramos também da voz alta e tão peculiar dela, amada por muitas pessoas e odiada por outras. O que pouca gente sabe é que ela gravou com os irmãos, em 1978, o álbum “Tetê & O Lírio Selvagem”. Mesmo antes de participar da vanguarda musical dos anos 80, ao lado de nomes como Arrigo Barnabé, Tetê já esbanjava experimentalismo (alguns sugerem Kate Bush como influência) e até certa dose de psicodelia. Tudo pode ser conferido nesse clássico do rock rural.

 

Joyce

Mais uma carioca na lista. Joyce lançou seu primeiro LP em 1968. Além de cantora, é compositora e multi instrumentista. Experimentou um relativo sucesso durante os anos 70, até o começo dos anos 80. Conta com mais de 30 álbuns em sua discografia e tem duas filhas que também são cantoras (Clara Moreno e Ana Martins) com vários álbuns lançados. No álbum “Passarinho Urbano”, de 1976, Joyce interpreta sambas clássicos e modernos, com uma roupagem minimalista e com sua típica voz orgânica e suave. Destaque para a última faixa, onde Joyce musica o famoso “Poeminho do Contra”, de Mário Quintana.

Todos estes que aí estão

Atravancando o meu caminho,

Eles passarão.

Eu passarinho

 

Luli e Lucina

Além da música, essa dupla tem uma história e tanto. O álbum escolhido abaixo, de 1979, foi composto no sítio à beira-mar onde moravam na época, em Mangaratiba. A vida era simples, com desapego material e comunitária (o sítio estava sempre cheio de visitas, amigos e moradores temporários), no melhor estilo hippie. Elas acordavam cedo, viam o sol nascer e então compunham melodias – que resultaram neste disco. Na mesma época tiveram uma união a 3 com um fotógrafo, que gerou filhos e durou até a morte do mesmo. Se até hoje esse tipo de relacionamento é tabu, imaginem em plena ditadura militar! Musicalmente, elas criaram mais de mil composições e tem canções interpretadas por Ney Matogrosso e Secos & Molhados. O estilo é uma MPB com melodias e harmonias vocais belíssimas e delicadas, acompanhadas por violão dedilhado e com uma aura de sonho e tranquilidade, que também é expressada muito bem pela capa do álbum.

 

Olívia Byington

“Corra o Risco” é o primeiro álbum de Olívia. Sua voz (e que voz!), somada à banda de apoio “A Barca do Sol”, remete a grandes nomes do rock progressivo com vocalistas femininas, como Renaissance e Curved Air. As músicas do álbum são compostas por gente de peso, como Jaques Morelembaum, Egberto Gismonti, John Neschling e Astor Piazzola. Os destaques do álbum vão para a faixa de abertura, “Fantasma da Ópera”, e a que encerra o trabalho, “Luz do Tango”, que são as mais poderosas e com  ar de prog rock setentista. Olívia não compõe nem lança discos há alguns anos, mas em 2016 ela lançou um livro chamado “O Que é que Ele Tem?”, onde fala sobre a síndrome rara de seu filho, João. Ah, e ela também é mãe do Gregório Duvivier.

 

Marlui Miranda

Mais uma artista incrível, que lançou um álbum que se tornou um tesouro obscuro da MPB. Marlui pesquisa, desde a década de 70, por sonoridades de culturas indígenas brasileiras e suas composições incorporam alguns desses elementos. Ela ganhou o Prêmio da Música Brasileira em 2015 e trabalhou com grandes nomes ao longo de sua carreira, inclusive como compositora. No álbum Olho d’Água (1979) o que predomina é a MPB, mas  já é possível notar as inspirações indígenas, tanto nas letras como nos sons. Os arranjos do álbum são de Egberto Gismonti. Ela também gravou álbuns com releituras de músicas sertanejas, de músicas do norte do país e com cantos indígenas, como “IHU – Todos os Sons”, de 1995, com canções de várias tribos.

 

Cátia de França

E por último, mas não menos importante, a minha preferida dessa lista. “20 Palavras ao Redor do Sol” é o álbum de estreia dessa paraibana e é todo especial, a começar pelas letras, que são compostas sobre poemas de João Cabral de Melo Neto (em obras posteriores ela usou outros grandes nomes da literatura nacional, como Guimarães Rosa, José Lins do Rego e Manoel de Barros). Além de cantora e compositora, Cátia França também é multi instrumentista e toca sanfona, violão, piano, flauta e percussão (ela chegou a ser professora de música por um tempo, antes de se dedicar exclusivamente à composição). Em cerca de 40 anos de carreira, Cátia gravou menos de 10 álbuns. Já trabalhou com Chico Cesar, Sivuca, José Ramalho, Elba Ramalho, Amelinha, Lulu Santos e Jackson do Pandeiro, entre outros. Dona de uma voz forte, segue firme até hoje na carreira musical, como vocês podem ver AQUI. “20 Palavras ao Redor do Sol” é um disco poderoso, com sofisticados arranjos de violões dedilhados e flautas, além de uma rica percussão e da marcante voz de Cátia. Daqueles álbuns para se ouvir a vida toda…

 

Texto postado originalmente em Delirium Nerd.

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