Nenhum Ator/Atriz Negro é Indicado ao Oscar…DE NOVO

Pelo segundo ano consecutivo, a maior premiação do cinema no mundo falha em reconhecer atores e atrizes negros. 

Então…saiu hoje de manhã a lista de indicados ao Oscar 2016. Quando passei os olhos pela lista, não achei nada demais e segui com o meu dia. Aí mais para o final do dia eis que me deparo com um quadro em que aparece a fotinho de cada atriz e ator indicado e…bem. Digamos que as coisas ficaram bem claras.  Veja se consegue achar o erro também:

oscarIndicados ao Oscar 2016.

 

Difícil não ver, né? A coisa toda parece um poster de propaganda da supremacia branca. E pior: ano passado foi a mesmíssima coisa. Olha só:

oscarIndicados ao Oscar 2015.

 

Desde 1998 que isso não acontecia. E agora acontece pela segunda vez consecutiva, mesmo com fortes concorrentes, como Idris Elba, Mya Taylor e Tessa Thompson. Isso sem contar que nas outras categorias também não se vê quase ninguém negro (sendo que não passou batido o fato de apenas o roteirista branco ter sido indicado para Straight Outta Compton – um filme dirigido por um diretor negro e estrelado por um ator negro).

Nada disso chega a ser uma enorme surpresa, claro. Em primeiro lugar, temos uma indústria profundamente racista, em que pouquíssimos papéis interessantes e de destaque são dados a atrizes e atores negros. Na concepção de Hollywood, atores negros – e, mais especificamente, atrizes negras – só podem ser escalados para interpretar papéis especificamente escritos para pessoas negras. E existem três problemas sérios com isso.

  1. Eles são pouquíssimos.
  2. Em 99% das vezes eles são secundários.
  3. Na maioria dos casos eles são terrivelmente estereotipados.

Como resultado, esse “perfil racial” de personagens limita enormemente as oportunidades de atores negros (principalmente atrizes, como já falei), fazendo com que eles se degladiem entre si por pouquíssimos papéis que a indústria cria que são dignos de destaque e reconhecimento. Como disse Viola Davis no Emmy 2015: “Não é possível vencer um Emmy por papéis que simplesmente não estão lá”. Resumindo: falta oportunidade, não talento.

Em segundo lugar, a Academia, responsável pelo Oscar, também é racista. Basta observar o histórico da premiação e a composição do seu corpo votante para enxergar. Basicamente, os vencedores do Oscar são escolhidos por 6028 membros, sendo que 94% deles são brancos, 77% são homens e sua idade média é de 62 anos. Isso se reflete nos resultados da premiação. Em toda a história do Oscar,apenas 31 indicados negros ganharam a estatueta, contra 2.947 vencedores brancos. Nas categorias de Melhor Ator, apenas 7% foram negros. Quanto a mulheres negras, apenas uma ganhou o prêmio de Melhor Atriz (Halle Berry, em 2002).

Resumindo, o problema é nítido e desanimador. A única coisa que anima é que ele não passa despercebido. Os usuários do Twitter, por exemplo, não perderam tempo e desencavaram a mesmíssima hashtag que usaram ano passado para criticar a premiação desse ano: #OscarSoWhite (algo como #OscarTãoBranco).

oscar

Não admitamos que ela seja necessária todos os anos.

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