6 Paralelos Assustadores entre The Handmaid’s Tale e a Vida Real
Mais do que uma produção sobre um mundo distópico, The Handmaid’s Tale é uma série que ajuda a entender melhor o nosso próprio mundo.
Em 1985, a autora canadense Margaret Atwood publicou The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia, em português), um romance sobre um mundo distópico em que as mulheres perderam todos os seus direitos. No mesmo ano o livro suscitou intensos debates e tornou Atwood uma das mais importantes escritoras do século XX. Por ele, a autora ganhou dois prêmios e ao longo das últimas décadas viu sua obra ser adaptada para o teatro, rádio, cinema e televisão. O impacto foi real e profundo.
Algumas das muitas edições do livro.
Corta para 2017 e, com a adaptação televisiva da Hulu de The Handmaid’s Tale, mais uma geração é irreparavelmente impactada pela obra de Atwood – se não mais ainda do que na década de 1980.
Eu mesma me incluo nessa. Li O Conto da Aia em janeiro de 2017, sem saber quase nada sobre ele. Nem mesmo que em quatro meses depois teríamos o lançamento de uma série baseada na obra. Poderosa e dolorosa em doses iguais, a leitura me causou um impacto tão forte que eu só consegui me sentir disposta o suficiente para ver a série em setembro, nove meses depois.
Sei que não sou a única. Entre os comentários que vejo sobre a produção, dois grupos se sobressaem: o dos que assistiram e elogiam a qualidade da série, e o dos que ainda estão “criando coragem” para assistir. “Criar coragem” parece ter se tornado um imperativo para ver The Handmaid’s Tale, e o motivo para isso é exatamente o que a torna tão importante de ser vista.
Quando falamos sobre “mundos distópicos” imaginamos e estamos acostumados com sociedades fundamentalmente diferentes da nossa. Distantes, tanto no espaço, como no tempo. Mas não foi bem isso que Atwood apresentou em The Handmaid’s Tale. A história se passa exatamente onde estamos, no nosso tempo. Nossa protagonista poderia ser eu ou você, apenas vivendo a vida com sua filha e seu parceiro, trabalhando em um escritório normal, pegando Uber pela cidade, jantando fora com a melhor amiga. Até o dia em que um grupo fundamentalista cristão dá um golpe de estado e ela se vê sem mais nada. Seu escritório a demite, sua conta bancária é congelada, sua família é tirada de si e, por último, todos os seus direitos lhe são negados. Por ser fértil em um mundo com altas taxas de infertilidade, ela se torna uma aia: uma espécie de serva sexual para famílias poderosas que não podem conceber. A destituição de direitos é tão completa que nem o próprio nome ela pode manter. Seu nome agora depende do homem que irá estuprá-la todo mês. No caso da nossa protagonista, a conhecemos por Offred. Of Fred. De Fred.
Mais do que a proximidade em termos de tempo e espaço, a história de Atwood é tão impactante porque é impossível não reconhecer nela uma extrapolação de crenças e ideais muito presentes na nossa própria sociedade. Ainda mais com a forte onda de conservadorismo que temos observado recentemente. Sim, a República de Gilead é um extremo, mas um extremo fortemente ancorado em realidade. De fato, tal verossimilhança foi algo conscientemente pensado por Atwood. De acordo com ela:
“Se eu ia criar um jardim imaginário, eu queria que os sapos nele fossem reais. Uma das minhas regras era que eu nunca colocaria nenhum evento no livro que já não tivesse acontecido no que James Joyce chamou de “pesadelo” da História, nem nenhuma tecnologia que já não estivesse disponível. Nenhum gizmo imaginário, nenhuma lei imaginária, nenhuma atrocidade imaginária. Deus está nos detalhes, dizem. E o Diabo também.”
Com isso, tudo o que vemos em The Handmaid’s Tale tem base em alguma realidade, passada ou presente. Execuções em massa, fundamentalismo religioso, queima de livros, a história da escravidão, o uso da vestimenta para marcar o status das pessoas, a subjugação histórica da mulher. Tudo isso e mais serviu de base para a construção dessa história. E o que assusta nela, o que nos faz ter que “criar coragem” para conhecê-la, são justamente os elementos que reconhecemos ainda em nossas próprias vidas.
Para além de sua qualidade de produção impecável, é por isso que a série baseada nessa história é tão importante. Os paralelos entre ficção e realidade são inúmeros, mas separei seis que já dão muito o que pensar. São eles:
Controle da mulher e maternidade compulsória
No mundo distópico de The Handmaid’s Tale, o corpo das mulheres não é delas. les servem a um determinado fim definido pelos homens no poder e fortemente ancorado em rígidos papéis de gênero. As Marthas são reduzidas à limpeza e à cozinha; as Esposas ao ambiente doméstico e à servidão ao marido e aos filhos; as aias à concepção de bebês. Em maior ou menor grau, são todas desumanizadas e objetificadas, transformadas em utensílios pelos homens no poder.
A situação das mulheres na República de Gilead é uma extrapolação do controle exercido sobre a mulher em nossa própria sociedade. Nossa sexualidade é monitorada, somos frequentemente reduzidas à “mães”, “filhas” ou “esposas”, nossos corpos são transformados em objetos sexuais na mídia, e mesmo no espaço público somos intimidadas e constantemente confrontadas com a ameaça de violência.
Além disso, a maternidade é compulsória também para nós – um destino selado tanto pela socialização, como pela falta de políticas sociais de planejamento familiar e pela criminalização do aborto, que além de extinguir nossa escolha e liberdade sobre nossos corpos, coloca mais de 200 mil mulheres em risco em clínicas clandestinas e mata uma delas a cada dois dias todos os anos (a maioria delas negra e pobre, em situação de vulnerabilidade social). E o pior: tal violação de direitos da mulher é mantida e exercida por homens, dado que apenas 10% dos deputados e 13% dos nossos senadores são mulheres.
Dependência financeira
Uma das primeiras coisas que os novos governantes da República de Gilead fazem depois do golpe de estado é destituir todas as mulheres de suas rendas e contas bancárias. Sem recursos, elas se tornam vulneráveis e mais facilmente subjugadas.
Manter as mulheres fora do mercado de trabalho, restritas ao ambiente doméstico e dependentes de um provedor masculino, é e sempre foi uma forma de controlá-las e mantê-las em posição inferiorizada. Hoje em dia, apesar de muitas mulheres trabalharem fora, o ideal “Bela, Recatada e do Lar” ainda permanece firme e forte, e a pressão para assumir a responsabilidade pelo lar, filhos e idosos está entre os principais motivos para a exclusão da mulher do mercado de trabalho. Dependentes financeiramente de seus parceiros ou parentes homens, muitas mulheres se tornam vulneráveis à violência, sem possibilidade de escapar. Lembrando que, no Brasil, 70% dos estupros acontecem dentro de casa e que 50,3% dos feminicídios foram cometidos por familiares.
Vale lembrar que estereótipos e papéis de gênero ainda fazem com que homens sejam melhor remunerados do que mulheres, e ocupem a grande maioria das posições de poder em instituições, governos, empresas e corporações. [O gráfico acima é do Banco Interamericano de Desenvolvimento, referente a toda a América Latina].
Culpabilização da Mulher
Algumas das cenas mais difíceis de assistir em The Handmaid’s Tale acontecem no Red Center – o centro de treinamento onde as aias aprendem o seu “ofício”. Lá, todo resquício de desafio e questionamento é arrancado delas pelas Tias – mulheres mais velhas encarregadas da disciplina e lavagem cerebral que será aos poucos forçada goela abaixo das jovens, na base da humilhação e violência.
Em uma dessas cenas, uma das mulheres é convidada a se sentar no centro de uma roda formada pelas outras aias e contar a todas sobre o estupro coletivo que sofreu quando era adolescente. Depois de contar a sua história, as Tias fazem perguntas e começam a culpar a vítima pelo estupro que sofreu. Logo, todas as outras aias são obrigadas a gritar insultos contra ela, chamando-a de puta e vadia. No fim, a própria vítima passa a acreditar nisso.
Essa cena ressoa tão claramente com a realidade que só de me lembrar dela eu tenho vontade de me enrolar em posição fetal. Também aqui na nossa sociedade, mulheres são culpadas pela violência que sofrem. Suas vidas são reviradas para justificá-la e a qualquer sinal de “desvio” do ideal “bela, recatada e do lar” a sociedade não tarda em gritar “ela estava pedindo!”.
De fato, assim como em The Handmaid’s Tale, mulheres são tão hostilizadas em casos de violência sexual – pela família, pela mídia, pelas autoridades – que muitas de nós realmente acreditam que são culpadas. Aqui vale lembrar da pesquisa do IPEA, que descobriu que 58,5% da população brasileira concorda com a frase: “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros.”
Rivalidade feminina
É interessante notar que muito da hostilidade e culpabilização que as mulheres sofrem na vida real é exercida por outras mulheres. A manutenção da rivalidade feminina beneficia imensamente o patriarcado, e nossa socialização nos prepara para competir com outras mulheres e desconfiar umas das outras. Desunidas, nos tornamos mais fracas e vulneráveis.
Isso é representado de forma brilhante em The Handmaid’s Tale. Em inúmeros momentos vemos como as mulheres são mantidas isoladas, em rivalidades e desconfianças que as mantêm exatamente na posição desprivilegiada em que estão. É na cena do centro de treinamento descrita no item acima que esse tema é apresentado de forma mais explícita, mas também o vemos na relação entre Offred e a Martha de sua casa, entre as Esposas e as aias, entre as Tias e todas as outras mulheres, e até entre as próprias aias.
Sobre isso, vale uma citação da própria Margaret Atwood:
“Sim, mulheres vão se voltar contra outras mulheres. Sim, elas vão acusar outras para se manter fora da mira: nós vemos isso muito publicamente na era das redes sociais (…). Sim, elas aceitarão contentes posições de poder sobre outras mulheres, até – e, possivelmente, especialmente – em sistemas em que as mulheres como um todo tem pouco poder: todo poder é relativo e em tempos duros, qualquer quantidade dele é visto como melhor do que nada. Algumas das Tias são devotas verdadeiras, e acham que estão fazendo um favor às aias: pelo menos elas não serão enviadas para limpar lixo tóxico, e pelo menos nesse bravo novo mundo elas não serão estupradas, não de verdade, não por estranhos. Algumas das Tias são sádicas. Algumas são oportunistas. E elas são adeptas de pegar alguns alvos declarados do feminismo de 1984 – como campanhas anti-pornografia e maior segurança contra violência sexual – e usá-los em seu favor. Como eu digo: vida real.”
Heterossexualidade Compulsória
Como eu já disse outras vezes, o que interessa para mim quando um livro é adaptado para a TV ou para o cinema não é se a história vai ser igualzinha, mas sim se a essência da obra é preservada. Pensando nisso, a série The Handmaid’s Tale é, para mim, uma das melhores adaptações de livros que eu já assisti na vida. Não só a produção conseguiu se manter fiel à essência da obra de Atwood, como foi bem sucedida ao incluir novos elementos, não presentes ou não tão bem desenvolvidos em sua contraparte literária.
Um desses elementos é o foco dado a uma das aias, que é lésbica. Através dela, vemos como a República de Gilead trata homossexuais – ou, como eles são chamados, “traidores do gênero”. Tanto em The Handmaid’s Tale como na vida real, essa suposta “traição” tem relação íntima com a estrutura da opressão feminina. Como muito bem dito por Paloma, do blog Valkirias:
“(…) o processo de dominação é mantido por diversas instituições sociais consagradas que, à primeira vista, parecem neutras. Entre os pilares que sustentam a sociedade patriarcal encontramos o casamento, a heterossexualidade e a maternidade, todos compulsórios, que somados dão origem à família tradicional nos moldes que conhecemos atualmente, com toda a distribuição de papéis e a estrutura de submissão e controle que lhe é inerente.
O mundo de The Handmaid’s Tale é ficção, mas não está muito distante do real. A heterossexualidade é compulsória porque fora dela fica exponencialmente mais difícil dobrar mulheres à submissão. (…) A partir daí, o controle que era interno, disfarçado e amplamente romantizado precisa tomar forma externa e ostensivamente agressiva.”
De fato, muito do tratamento destinado à homossexuais em Gilead tem relação com o nosso mundo. Espancamentos, estupros corretivos, exclusão social e até assassinatos acontecem diariamente no Brasil e no mundo contra homossexuais. Além disso, em muitos países a homossexualidade ainda é crime.
Machismo Hostil x Machismo Benevolente
Em diversos momentos de The Handmaid’s Tale vemos com clareza a perversidade do sistema de opressão em Gilead. Nos Red Centers, as aias são quebradas, mas aprendem que, apesar de não possuírem direito nenhum, serão protegidas até certo ponto, contanto que se conformem e aceitem o seu destino.
Vemos essa espécie de sistema de compensação em diversos momentos ao longo da série. As Tias se esbaldam em sua ilusória posição de poder, exercido contra outras mulheres. As Esposas se contentam com o seu status social, também acima das outras mulheres. As aias têm muito pouco com o que se contentar, mas muitas se apegam ao discurso de sua centralidade para a manutenção da vida, e quando engravidam são acolhidas e paparicadas até o nascimento da criança. Depois de dar à luz, porém, são descartadas como produtos usados.
Tudo isso lembra muito as dinâmicas da vida real relacionadas à machismo hostil e machismo benevolente. Machismo hostil é aquele que violenta, que diz que a mulher deve ficar em casa e ser submissa ao marido. Já o machismo benevolente se baseia em pré-concepções sobre gênero que parecem positivas à primeira vista, mas que reforçam a desigualdade de maneira mais ampla, e muitas vezes dão munição ao machismo hostil. Um exemplo seria o cavalheirismo: um tratamento diferenciado dado às mulheres porque elas seriam mais frágeis, fracas e/ou incapazes. É importante notar, no entanto, que esse tipo de “ajuda” ou “recompensa” só é dispensado às mulheres que se conformam ao que é esperado delas.
De acordo com os os pesquisadores Peter Glicke e Susan T. Fiske, tanto o machismo hostil como o benevolente existem lado a lado, um reforçando o outro. Talvez não tão surpreendentemente, os pesquisadores descobriram que nos lugares onde existe mais machismo hostil, as mulheres são mais receptivas à machismo benevolente. Isso porque, como são constantemente confrontadas com reações hostis toda vez que não se conformam aos ideais de gênero, essas mulheres veem no machismo benevolente a possibilidade de proteção e apreciação. O paralelo com a estrutura social em The Handmaid’s Tale é assombroso.
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Não é fácil ler, nem assistir The Handmaid’s Tale. Mas se você tiver a oportunidade, faça-o. Mais do que uma produção sobre um mundo distópico, a série é valiosa para ajudar a entender melhor o nosso próprio mundo.
O livro O Conto da Aia está na disponível na Amazon. Confira:
Rafaela
October 8, 2017 @ 10:19 pm
Iara,
Obrigada apor esse artigo maravilhoso.
Gratidao
Higor Britez
October 9, 2017 @ 5:49 pm
Excelente texto, só não concordo com a questão do aborto, no meu ponto de vista, aborto e pena de morte são praticamente a mesma coisa, só não consigo entender, pq o movimento feminista defende com unhas e dentes o direito de pleno aborto, mas é contra a pena de morte. Analisando friamente, as duas situações são assassinatos, o primeiro é permitido em nosso país, em alguns casos, como estupro por exemplo. Já a pena de morte é proibida. Qual vida tem mais valor, a de um feto inocente ou a de um bandido?
luana
October 10, 2017 @ 3:12 am
então, vamos lá
primeiramente, o aborto só pode ser realizado até (no máximo) na 12ª semana de gravidez, onde até então, não existe um consenso na comunidade cientifica se este feto pode ser, de fato, considerado uma vida. esta ideia de um feto que ainda não está formado ser uma forma de vida deriva de vertente religiosa. Cada um com a sua religião, mas religião é diferente de ciência. Você pode até encontrar algumas religiões que consideram espermatozóides como forma de vida. Então se feto é ou não uma vida não pode ser afirmado, é muito relativo à questões morais que envolvem coisas subjetivas como religião (outro adendo muito importante: antes desse período muitas mulheres sofrem aborto espontâneo).
enquanto feminista, a ideia é: muitas mulheres morrem em clinicas tentando realizar um procedimento (muitas vezes nas primeiras semanas de gravidez, onde não há muito desenvolvimento do feto) morrem. mulheres, incontestavelmente vivas, que muitas vezes só querem poupar uma criança que ainda não está formada, que ainda não pode ser considerada uma vida, de vir a ter uma vida infeliz, de sofrer. nenhuma feminista acha legal e tem prazer em aborto, e nenhuma mulher vai lá feliz da vida abortar como se fosse hobbie. é dolorido, é um último recurso.
A mulher é ensinada desde cedo a responsabilidade de ter um filho. Muitas mulheres se anulam e se sacrificam pelos seus filhos, assim somos ensinadas à ser mães. E se uma mulher, por algum motivo, não pode cumprir com essas expectativas? Não é uma decisão fácil.
Como você fala, por exemplo, do caso cuja a mãe sofreu um estupro, pense no horrível sofrimento que será a vida dessa criança e dessa mãe??? e dos familiares?? O que é mais importante: planejamento familiar, educação, bem-estar de uma criança e de uma família, ou um feto que ainda não está formado (até a 12ª semana), que não pode ser considerado uma vida que irá crescer até eventualmente se tornar uma vida de fato, somente para sofrer? e outra, essa pergunta é uma falsa equivalência pois a questão da legalidade do aborto ou não de nada interfere em questões de legais sobre pena de morte, são dois contextos complatamente diferentes. No caso da pena de morte, não é uma pauta feminista. pode ser de muitas mulheres que são feministas por outras questões (mais ideologicas) serem contra a pena de morte. mas não é uma pauta feminista, portanto não existe essa dualidade pena de morte vs aborto no feminismo.
Caio Borrillo
October 12, 2017 @ 12:32 am
Feto é um ser humano em potencial. Pode nem vir a se tornar um ser humano. É preferível salvar um ser humano em potencial ao invés de uma mulher adulta? Isso se chama misoginia, meu rapaz.
Segunda coisa: tu é homem. Vc não faz abortos, porque não engravida. Mas se homens engravidassem, fazer aborto seria permitido até no caixa eletrônico.
Homem pode largar mãe e filho que ninguém reclama, alegando que não está preparado pra isso, que não é maduro e o KCT a 4, mas a mulher se engravida, seja pela razão que for, é obrigada a carregar uma gestação? De novo, amiguinho, isso se chama MISOGINIA.
Marcia
October 12, 2017 @ 9:42 am
RESPONDO SEM QUALQUER PROBLEMA: A DE UM BANDIDO, já para minhas concepções de vida, apenas o ‘bandido’, é um ser autônomo e vivo, digno de proteção. Sem autonomia, não há vida. o feto depende 100% do corpo da mãe, pelo menos até o final do sexto mês. Até o final do terceiro, não será capaz de sentir dor, por que não tem o sistema nervoso central completamente formado e esse é o meu limite ético para o Aborto, não causar dor, ao contrário da pena de morte… Um bandido é um ser humano, um feto é apenas uma promessa de humanidade, que pode ou não se cumprir. A responsabilidade da mãe nesse processo de gestação e criação é tremenda, a gravidez, o parto, podem matá-la, ela pode não ter condições de criar a criança, ou pior: não querer aquele bebe e criar por obrigação outro ser humano. No meu campo de atuação, é bastante frequente ver que agressores (assassinos, estupradores e pedófilos) tiveram infâncias difíceis, foram vítima de violência e falta de amor e sobreviveram para repetir essa violência contra outras pessoas. Para mim, aborto é uma questão de responsabilidade. Ser mãe exige vontade, competência e dedicação. Não é, nem de longe, algo que possa fazer levianamente e muito menos deve ser imposto.
Rafael
October 16, 2017 @ 9:15 pm
o aborto é realizado a um feto, enquanto o outro é realizado contra um ADULTO.
só por aí já dá para sentir a diferença.
Line
December 6, 2018 @ 10:16 pm
Concordo e também acho isso extremamente incoerente. Assim como o outro lado da moeda, no caso os direitistas, que defende a pena de morte e é contra o aborto. Por isso sou a favor dos dois, e se mudar de ideia algum dia, serei contra os dois, mas nunca a favor de um e contra o outro.
Thais
October 10, 2017 @ 3:30 am
Amei teu texto, ótima dica de leitura <3
Vou olhar a serie
muito obrigada!
Higor Britez
October 16, 2017 @ 2:56 am
Ao invés de legalizar o aborto, não seria melhor evitar a gravidez, através de métodos contraceptivos, como DIU por exemplo. Penso que o movimento feminista ganharia muito mais adeptos nesse assunto, se cobrasse do poder público uma política de planejamento de familiar, com ênfase no acesso universal aos mecanismos contraceptivos.
Peço desculpas pela associação do movimento feminista a defesa de bandidos, creio que seja apenas uma minoria alienada.
Em relação ao comentário de que homem não pode opinar sobre o aborto, discordo totalmente, todas as pessoas tem direito a emitirem suas opiniões, desde que, respeitemos parâmetros legais e morais, isso inclusive está previsto em nossa constituição.
Suponhamos que minha esposa engravide, seria justo ela realizar um aborto sem o meu consentimento, afinal, o feto também é “meu”, pois metade de seu material genético foi fornecido por mim.
Lara Vascouto
October 17, 2017 @ 12:20 pm
Oi Higor! Claro que políticas de planejamento familiar são muito importantes, e com certeza essa é uma bandeira que levantamos. Mas o que a experiência de outros países nos mostra é que a legalização do aborto faz parte de uma política de planejamento familiar efetiva. Até porque nenhum método contraceptivo é 100% eficaz – a OMS estima que mesmo que todas as mulheres sexualmente ativas no mundo usassem métodos contraceptivos, ainda assim teríamos entre 8 e 10 milhões de gestações por falhas dos próprios métodos.
Sobre a situação hipotética que você coloca, é claro que o ideal é que o casal converse junto sobre ter o filho ou não. Mas mesmo nos casos em que o pai é interessado e presente, quem deve ter a palavra final é a mãe, pois o ônus maior será sobre ela.
Para entender melhor por que defendemos a legalização do aborto, visite o nosso infográfico: http://nodeoito.com/aborto-infografico/
jl
October 25, 2018 @ 10:09 pm
depois disso, acho que vai demorar ainda mais pra eu ver a série, de fato ela mostra uma perspectiva assustadora.
Off: gostaria de sugerir que vocês falassem sobre a segunda temporada de big mouth, que falou muito sobre machismo. Eu tbm comecei assistir a série elite da netflix e acho que tbm é boa pro debate.