5 Documentários Curtos Disponíveis Online para Pensar sobre Colorismo

No Brasil e em grande parte do mundo, o colorismo faz com que quanto mais escura uma pessoa, e quanto mais traços negros ela tiver, mais exclusão ela sofra. 

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O colorismo é um tipo de discriminação baseada em cor de pele, que faz com que quanto mais escura a pele de uma pessoa, e quanto mais traços negros ela tenha (cabelo crespo, nariz largo), mais exclusão ela sofra. De acordo com a blogueira Aline Djokic:

“Ao contrário do racismo, que se orienta na identificação do sujeito como pertencente a certa raça para poder exercer a discriminação, o colorismo se orienta somente na cor da pele da pessoa. Isso quer dizer que, ainda que uma pessoa seja reconhecida como negra ou afrodescendente, a tonalidade de sua pele será decisiva para o tratamento que a sociedade dará a ela. (…)

O colorismo funciona como um sistema de favores, no qual a branquitude permite a presença de sujeitos negros com identificação maior de traços físicos mais próximos do europeu, mas não os eleva ao mesmo patamar dos brancos; (…) É importante salientar que aceitar esse “favor” não é uma opção para o sujeito negro. Rejeitar esse “acordo” acarretaria na sua exclusão. Um exemplo é o de mulheres negras de pele clara que, enquanto alisavam os cabelos, sofriam menor perseguição racial no local de trabalho, mas que depois de abdicarem desse processo passaram a ser discriminadas abertamente.”

Por ter fortes raízes na escravidão de povos africanos e indígenas nos últimos quinhentos anos, o colorismo tem presença forte principalmente em ex-colônias europeias – inclusive no Brasil. Para entender melhor o que é, como funciona e quais os efeitos do colorismo, separei cinco documentários curtos sobre o assunto, que você pode assistir agora mesmo.

 

Too Black for Brazil 

Nesse documentário (cujo título traduz para “Negra demais para o Brasil”) o jornal inglês The Guardian fala sobre o caso de Nayara Justino, que foi selecionada para ser a Globeleza em 2013, mas após sofrer diversos ataques por ser “preta demais” foi substituída por Erika Moura apenas um ano depois. Erika é a globeleza com a pele mais clara de todas. *Para ativar as legendas, clique no ícone de legenda no canto inferior direito do vídeo.

Aproveite também para ler o texto A Mulata Globeleza: Um Manifesto, de Djamila Ribeiro e Stephanie Ribeiro, que discute o racismo e o machismo por trás da figura da Globeleza.

 

Yellow Fever

Yellow Fever: FULL from Ng’endo Mukii on Vimeo.

A queniana Ng’endo Mukii, diretora de Yellow Fever, explica a criação do filme:

“Me interesso pelo conceito de pele e raça, e nas implicações de ambos; nas ideias e teorias costuradas em nossa carne que mudam com o passar do tempo. O ideal de beleza se tornou globalizado, criando aspirações homogêneas e distorcendo a auto-imagem de pessoas em todo o planeta. No meu filme, foco na auto-imagem de mulheres africanas, através de memórias e entrevistas; usando mídias diversas para descrever essa auto-visualizações quase esquizofrênica com as quais eu e muitas outras crescemos. 

*Clique no ícone CC, no canto inferior direito do vídeo, para ativar as legendas.

Confissões de uma Garota D: Colorismo e Padrões Globais de Beleza | Chika Okoro | TEDxStanford

Ok, eu sei que não é um documentário, mas este TEDx com a mestranda Chika Okoro, da universidade de Stanford, é bem didático e explica o que é, da onde veio e quais são os efeitos do colorismo na mente e na sociedade.

Correção na tradução: quando Okoro fala sobre “actors and actresses of color”, ela está se referindo a toda a comunidade POC (de grupos étnicos não-brancos). Às vezes o termo também é usado para se referir estritamente a negros, mas nesse caso ela está falando de grupos étnicos não-brancos em geral, porque chega a citar a atriz Aishawarya Rai (entre as capas que tiveram fotos clareadas), que é indiana. Obrigada, Emanuelle, pela correção!

Clique aqui para ver o vídeo original, sem legendas. 

 

A Girl Like Me

Em A Girl Like Me – que traduz para Uma Garota como Eu – a jovem cineasta americana Kiri Davis examina os efeitos da imposição de um padrão de beleza branco na vida de meninas afro-americanas.

Clique aqui para ver o vídeo original, sem legendas. 

 

Fair? (2012)

Dirigido pela indiana Vishnupriya (Dia) Das, Fair? explora a obsessão indiana por pele clara a partir de diferentes perspectivas. Vale lembrar que produtos para clareamento de pele compõem uma indústria multibilionária no sudeste asiático. Infelizmente, só está disponível em inglês.

Bônus:

Veja abaixo mais dois filmes que não estão disponíveis no YouTube, mas também abordam a questão do colorismo.

Kbela

Dirigido pela cineasta Yasmin Thayná, Kbela foi adaptado a partir do conto Mc K_bela, que narra a história de uma menina negra da baixada fluminense, que passou por um processo de embranquecimento durante a sua vida, e decidiu se libertar deixando seu cabelo natural, sem nenhum tipo de interferência química.

Dark Girls

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Dark Girls é um documentário longa que explora os efeitos e consequências do colorismo em mulheres afro-americanas. Veja o trailer.

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