Capitolina – Livro Reúne os Melhores Textos da Revista Online (e artigos inéditos também!)

A revista online Capitolina surgiu como uma alternativa à mídia tradicional voltada para meninas adolescentes, com a proposta de criar um conteúdo colaborativo e livre de preconceitos.

capitolina

Abordando temas como relacionamentos, feminismo, cinema, moda, games, viagens e muito mais, a revista Capitolina foi lançada em setembro em formato de livro, reunindo artigos inéditos e os melhores textos do seu primeiro ano de empreitada.

“Esta edição reúne os melhores textos publicados em um ano de revista, além de vários artigos inéditos, todos eles ilustrados. No total são 41 escritoras e 23 artistas! Para completar, há atividade interativa para você também ajudar a construir o livro e dar a ele seu toque pessoal. Aqui você vai se deparar com conselhos, dicas, reflexões, muito apoio e, principalmente, a sensação que não está sozinha.”

capitolinaIlustração Isadora Marília. Fonte: http://revistacapitolina.tumblr.com/

 

Queria começar essa resenha dizendo que a Carta das Editoras da Capitolina – que foi escrita por Clara Browne, Lorena Piñeiro e Sofia Soter – foi uma das introduções mais bonitas e acolhedores que eu já li. Nessa carta, as editoras contam como surgiu a ideia da criação de Capitolina. É uma linda carta de amparo e de sororidade para todas as garotas do país que precisam conversar sobre seus medos, suas inseguranças; fugindo dos estereótipos abordados em diversas revistas para o público adolescente (especialmente o feminino).

Vou deixar um trecho do começo dela para vocês sentirem um pouco o gostinho dessa carta linda.

Tudo começou em uma noite de setembro, no subespaço da internet. Nas ruas escuras das diferentes cidades do Brasil, tudo estava quieto e tranquilo, mas dentro das casas de diversas meninas, seus dedos não paravam de digitar um minuto sequer, em uma conversa estranhamente honesta considerando que poucas ali se conheciam de fato. Elas falavam sobre como nunca se sentiram representadas pela mídia tradicional e como na adolescência teriam adorado ler uma revista alternativa que fosse sincera, como aqueles comentários no grupo do Facebook. Em algum momento dessa conversa, as nuvens de São Paulo se afastaram revelando a lua, e ela refletiu a luz do sol direto nessa conversa que, a princípio, poderia ser como outra qualquer. E, ali, naquela noite, nesse misto de animação em caps lock e magia do Universo, surgiu a ideia da Capitolina.(…)”

capitolinaCrédito: Ilustração da Dora Leroy

 

A revista contém textos reflexivos, abordando problemas que toda garota adolescente enfrenta na adolescência. Mas o diferencial da revista está na forma como abordam esses problemas. Por exemplo, em um dos textos, as escritoras desconstroem o mito do príncipe encantado.

Geralmente, as revistas e sites que encontramos na internet para adolescentes – principalmente para meninas – estão voltados para a questão da beleza, do consumismo, e poucas vezes vemos discussões sobre problemas reais, vivenciados por qualquer adolescente.

Jessica Jones tem um recadinho para revistas assim:

capitolinaImagem: HQ Alias

 

As escritoras desconstroem questões de gênero, sexualidade, meritocracia, questões raciais, relacionamentos abusivos e vários outros temas sob uma ótica feminista. A sensação que tive ao ler cada texto é tão acolhedora, que parece que estava conversando com uma melhor amiga.

capitolinaJudith Butler com seu exemplar de Capitolina. Crédito: Capitolina

 

A revista também traz ótimas dicas de filmes, músicas e séries que são recomendadas de acordo com o tema do artigo publicado.

capitolinaIlustração Isadora Marília. Fonte: http://revistacapitolina.tumblr.com/

 

Achei interessante a interação da revista com o(a) leitor(a). No final de alguns textos, há uma página para expressar a opinião sobre o tema discutido. Trata-se de um exercício de conscientização, servindo como uma espécie de caderno de atividades também.

capitolinaRevista Capitolina

 

Outra preocupação que tiveram com a criação de Capitolina foi a escolha das colaboradoras. Nós vemos, por exemplo, artigos de mulheres negras escrevendo sobre questões raciais; transexuais escrevendo sobre questões de gênero e sexualidade; deficientes físicas escrevendo sobre sexualidade. A representatividade é importante, e nada melhor do que cada uma contar sua própria experiência, para que cada um possa se identificar com determinada questão ou apontamento. Há colaboradoras de várias idades diferentes, de várias orientações sexuais, de vários locais diferentes do Brasil. E todas essas meninas e mulheres maravilhosas formam a Capitolina, abordando a importância da inclusão de mulheres na mídia, desconstruindo vários temas.

capitolinaAlgumas capitolinas.

 

Capitolina traz também várias ilustrações lindas relacionadas ao tema do artigo. Uma ótima oportunidade para conhecer o trabalho das ilustradoras nacionais.

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Um dos meus textos preferidos da revista é o texto “A Arte Ignorada”, que aborda questões sobre a importância da inclusão e da diversidade das mulheres dentro no universo artístico, questionando a representatividade no mundo das artes visuais e da literatura. O texto sugere ótimas referências sobre mulheres artistas.

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A Revista Capitolina é como aquela melhor amiga com quem você pode conversar sobre tudo. Uma dose de sororidade e empoderamento em forma de revista. Eu gostaria muito de ter lido uma revista como essa quando era adolescente.


Confira Clara e Sophia, que são editoras da Capitolina, no programa Esquenta.


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