Machismo na Música – Você consegue adivinhar o estilo musical só pela letra da música? Faça o teste!

O machismo e a misoginia estão entranhados na estrutura da sociedade. Você está atento para identificá-los em todos os tipos de música? Faça o teste no fim do post.

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Esse ano o estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro despertou o que há de melhor e de pior no Brasil inteiro. Por um lado, mulheres de todo o país se uniram em luto e em luta para protestar contra a cultura do estupro e a naturalização da violência contra a mulher. Por outro, testemunhamos um levante de misoginia, machismo, racismo e elitismo no discurso de milhares de pessoas que – estimuladas por tendências machistas das próprias autoridades e de uma mídia sensacionalista e irresponsável – se uniram para culpar tudo menos os estupradores.

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Entre tanta culpabilização despropositada, o caso reacendeu um discurso que vira e mexe ressurge com força total: que o funk é um estilo musical degenerado, violento e criminoso – um braço do tráfico responsável pela degeneração de meninas e mulheres. No caso em questão, boa parte dos comentários internet afora – que giraram em torno do argumento “se foi em baile funk é porque tava pedindo” refletem bem esse pensamento.

Agora, embora muitas letras de funk sejam, sim, problemáticas, a nossa pressa em culpabilizá-lo por todos os males e classificá-lo como “música de bandido” diz muito sobre o racismo e o preconceito de classe entranhados na nossa sociedade. Afinal, não é de hoje que o funk é demonizado. Desde a década de 1990, quando as músicas ainda não eram tão sexualmente explícitas, o ritmo já era alvo de preconceito simplesmente por ser popular na periferia – algo que aconteceu também com o rap, o hip hop, o jazz, o blues e até com o rock, nas suas origens.

músicaIsto é, antes de ele ser apropriado por um homem branco.

 

(E antes que você venha dizer que nem se compara funk com esses estilos musicais, por favor, faça uma pausa e vá pesquisar a história do funk).

O mais interessante é que o machismo, a violência e a misoginia que são tão fortemente atrelados ao funk no imaginário popular fazem parte de praticamente todos os estilos musicais (faça o teste no fim do post!). A música, aliás, é prova de que o machismo é forte em todas as classes sociais, não sendo de forma alguma exclusividade de um único grupo ou região. Como está entranhado na própria estrutura social, é inevitável que ele se manifeste nas expressões artísticas dessa sociedade.

É importante perceber, no entanto, que além de representar um sintoma de uma sociedade doente, ao reproduzir o machismo e a misoginia a música acaba também reforçando-os, num ciclo sem fim muito menos poético do que o do rei leão. Por esse motivo, devemos ter os ouvidos críticos e exigir consciência e responsabilidade dos nossos artistas. Não se trata de demonizá-los, mas sim de cobrá-los para que mudanças aconteçam. Afinal, a música – assim como todas as formas de arte e entretenimento – podem tanto reproduzir opressões, como desafiá-las. E nós, como público, temos papel fundamental para influenciar essa balança.

E agora, será que você está atento para o machismo em todos os gêneros musicais? Faça o teste abaixo para descobrir:


 

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