5 Comentários que as Pessoas Precisam Parar de Fazer em Discussões sobre Feminismo

Apenas parem.

feminismo

Não há dúvidas de que a internet está se provando um meio valioso para a discussão e disseminação de pautas sociais amplamente ignoradas pelo sistema de educação formal e a grande mídia. A produção e disseminação autônoma de conteúdo sobre a desigualdade de gênero, por exemplo, é riquíssima na internet, com textos e análises de peso que abordam praticamente todos os aspectos dessa questão.

Por um lado, esse alcance e espaço que a internet oferece possibilita um primeiro passo na luta contra sistemas de opressão, pois através dela milhões de meninas e mulheres estão conseguindo entender o que está por trás das violências e opressões que vivenciam todos os dias. Por outro lado, no entanto, esse trabalho é constantemente prejudicado por uma enxurrada de comentários ignorantes ou de má fé que surgem aos milhares toda vez que alguém ousa usar palavras como “feminismo” na internet.

feminismoÉ como se cada vez que alguém escreve sobre isso um sinal fosse enviado que só machistas e besouros rola-bosta conseguem ouvir.

 

Na esperança de que essas pessoas tomem tento, como diria a minha mãe, reuni aqui alguns desses comentários para que não percamos mais tempo com eles. Comentários como…

“Cadê as provas?”

Variações incluem “Nunca vi isso acontecer”, “Mas então como você explica blablabla?”, “Mas eu acho que você entendeu errado, porque blablabla”. O objetivo aqui é, essencialmente, descreditar a experiência e a palavra das mulheres e fazer com que percamos um tempo valioso provando a existência de algo que é praticamente a própria história da nossa civilização. Eu não preciso provar que machismo existe para reivindicar igualdade de direitos, porque absolutamente todas as estatísticas em todos os países do mundo já provam isso.

feminismoA bagaça tá até entre as metas de desenvolvimento da ONU.

 

Na verdade, esse tipo de comentário é um ótimo exemplo de como o machismo funciona, pois invalida qualquer coisa que saia da boca de uma mulher a menos que ela ofereça uma bibliografia em dez volumes para apoiar as suas denúncias e reivindicações. E, claro, coloca o homem na posição de juiz supremo, que vai decidir se ela deve ser levada a sério ou não.

feminismoPrevisivelmente, na maioria das vezes o veredicto é desfavorável.

 

“Feminismo não. Humanismo!”

Se eu ganhasse um real para cada vez que vejo alguém falando que é contra o feminismo porque feminismo prega ódio aos homens, eu já estaria podre de rica. Assim como o item acima, é uma perda de tempo e de energia sem tamanho ficar se esforçando para explicar as coisas para essas pessoas, porque feminismo é um conceito já tão universalmente compreendido que está até no dicionário.

IMPRESSO.

Juro, fui olhar os meus dicionários de dez anos atrás, do tempo de escola, e todos eles – em quatro línguas diferentes – tem o significado de feminismo (e nenhum deles diz nada remotamente parecido com “morte aos homens”). Mas mesmo assim a galera gosta de se fazer de tonta, tirando o foco de discussões realmente relevantes e nos fazendo perder tanto tempo como vontade de viver explicando o que é feminismo. Sério, tomem tento.

“Mas as feministas são tão agressivas! Assim não vão chegar em lugar nenhum!”

Se tem uma coisa que pode ser esperada de grupos que foram oprimidos por séculos e continuam sendo oprimidos violentamente hoje em dia é agressividade. Reclamar disso é como ser a pessoa com a faca na mão na frente de uma pessoa amarrada em um poste em chamas e se recusar a cortar as cordas porque ela não falou “por favor”.

Algumas de nós ficam p*tas da vida, sim, e com razão. Ainda mais porque somos constantemente bombardeadas com pessoas questionando nossas experiências e se recusando a procurar a palavra ‘feminismo’ no dicionário.

Mas eu já vi algumas pregando castração e morte aos homens!” – alguém aí está dizendo.

Ok, antes de qualquer coisa, pense se você realmente viu alguém falando isso em primeira mão.

feminismoJuro que falaram isso! O vizinho do primo da namorada do amigo do meu irmão acompanhou tudo!

 

Se esse for mesmo o caso, olha lá no dicionário de novo e conclua que essas pessoas não representam o feminismo. E se elas insistem em se autodenominar feministas, lembre-se que 99,9% do movimento não é composto por lunáticos castradores de homens. Ver uma pessoa estúpida falando merda e concluir que o movimento todo é estúpido por causa dela é como olhar para Hitler e falar “Tá vendo! Por isso que não podemos deixar homens governar! São todos maníacos genocidas!”.

“Feminazi!”

Nessa categoria de comentários entra também o que vêm se configurando há meses como um dos favoritos dos cretinos: “Quanto mimimi!”. O que esse tipo de comentário faz é minimizar e ridicularizar denúncias, reflexões, análises e reivindicações sérias que impactam a vida de bilhões de pessoas. Embora alguns identifiquem (corretamente) que esse tipo de reação emprestada do repertório de crianças de cinco anos significa que você está ganhando a discussão, em muitos casos ela funciona como intimidação e acaba calando vozes que já são sistematicamente silenciadas. Ou então acaba gerando uma reação agressiva por parte de quem está sendo ridicularizado, o que dá munição para o cretino que acha que ser ridicularizado por querer o fim de um sistema de opressão que já dura séculos não justifica “essa agressividade toda!”.

feminismoSó tenho isso a dizer.

 

“Mas mulheres são muito mais privilegiadas do que homens!”

Esse é o indivíduo que acha que porque existem algumas leis específicas para a proteção e segurança da mulher, isso significa que elas tem “privilégios”. Ou que porque mulheres não são obrigadas a se alistar para o exército ou não costumam carregar sacos de cimento em obras, são princesinhas sem motivos para reclamar. Basicamente, é o cara que acha que machismo é algo que tem que ser provado, como se – como já discutimos lá em cima – todas as estatísticas em todos os cantos do mundo já não o provassem.

Por esse motivo, serei breve. Leis criadas para benefício de mulheres existem por um motivo, numa tentativa de combater desigualdades, mentalidades e crenças que colocam mulheres em violenta desvantagem há séculos.

feminismoVale lembrar, no entanto, que ter uma lei não significa que ela seja cumprida.

 

Já o questionamento sobre o exército e ocupações não se sustenta. Mulheres já estão em profissões tidas tradicionalmente como “masculinas”, como em construção e mineração, e também já integram fileiras do exército em todo o mundo. O motivo de elas ainda serem minoria é o preconceito contra a presença feminina nesses empregos e a crença (machista) de que elas não conseguem aguentar o trabalho.

Isso me lembra uma troca interessante que vi há um tempo atrás em uma discussão sobre feminismo.

 

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Como é mesmo o ditado? Ah é. Quem diz o que quer, ouve o que não quer.

Leia também 5 Situações Idênticas que Geral Elogios a Homens e Críticas a Mulheres; e 4 Argumentos a Favor do Cavalheirismo que Provam que Cavalheirismo é Machismo.